Práticas conservacionistas garantem Agro sustentável

Conclusão foi tirada do Fórum Regional ABAG, realizado nesta sexta-feira, dia 7, em Porto Alegre (RS).

Falta de práticas conservacionistas que evitam perdas e compactação do solo, ineficiência na aplicação de defensivos agrícolas, deficiência na semeadura e desconhecimento da legislação sobre meio ambiente. Essa relação dos principais problemas que dificultam uma produção agrícola sustentável foi detalhada por Renan dos Santos, assessor da Divisão de Estudos Avançados de Inovação do Senar-RS, durante o Fórum Regional ABAG – Desafios do Agronegócio Sustentável, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio, nesta sexta-feira (7), em Porto Alegre.

Esses são apenas alguns dos problemas detectados por um levantamento feito pelo Senar-RS. “Estamos intensificando ações na busca por soluções de diversas maneiras. Um exemplo concreto é uma ideia desenvolvida por uma startup que colocou uma câmera na ponta dos pulverizadores para racionalizar a aplicação de defensivos”, informou o palestrante, que participou do primeiro painel do Fórum, sobre Inovação.

O encontro foi aberto pelo diretor de Política Agrícola da Secretaria de Agricultura Pecuária e Desenvolvimento rural do RS, Ivan Bonetti, que fez um apanhado das reformulações que estão sendo feitas na Secretaria com vistas a ampliar a inovação. “Uma das nossas prioridades é desenvolver um sistema para coletar e divulgar dados confiáveis sobre a agropecuária gaúcha”, afirmou Bonetti. Adiantou ainda que estão sendo criadas várias câmaras setoriais, incluindo uma voltada para o Mercosul e Comércio Exterior. “A ideia é trabalharmos mais com programas e não com ações isoladas”, concluiu.

Em seguida, José Denardin, pesquisador da Embrapa Trigo de Passo Fundo-RS, tratou do tema da geração e adoção de novas tecnologias pelo produtor rural. “Precisamos deixar claro que o mais importante em se ter uma inovação tecnológica é como adotá-la. A tecnologia gerada precisa ser incorporada a rotina diária do agricultor e a conclusão que se chega é que precisamos fazer bem feito o velho que já está incorporado ao dia a dia. Em muitos casos não estamos fazendo nem isso bem feito. Notamos isso muito claramente na negligência em relação ao trato com o solo”, comentou Denardin.

Com a análise do pesquisador da Embrapa Trigo concorda Nestor Bonfanti, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Sul, que abriu o segundo painel, que tratou de Agricultura e Meio Ambiente. “Tecnologia e inovação é importante e necessária, mas, muitas vezes, não é compreendida pelo agricultor”, alertou. Para ele, uma melhor assistência técnica ajudaria nessa questão. “Sem uma boa assistência ao homem do campo, sobretudo o da agricultura familiar, nós também não avançamos na questão das melhores práticas ambientais”, acrescentou Bonfanti.

Na mesma linha seguiu Marjorie Kauffmann, presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), da Secretaria do Meio Ambiente do RS. A seu ver, os procedimentos que são adotados pelas administrações estaduais e municipais na área ambiental precisam estar em harmonia com a política nacional. “Nesse sentido, a postura de colocar a falta de saneamento básico como um dos principais problemas ambientais do país, talvez ajude a tirar um pouco o agronegócio da posição de vilão nessa área”, observou Marjorie, acrescentando que: “preservação também é um elemento importante para o aumento da produtividade”.

Também participou dos debates o professor Pedro Selbach, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A seu ver, precisamos enfatizar e destacar pontos positivos do Brasil na questão ambiental. “Precisamos mostrar, por exemplo, que a nossa matriz energética é composta em 47,3% de energia renovável, contra apenas 18,6% na média mundial, e de somente 7% nos países da OCDE.

No encerramento do evento, o diretor executivo da ABAG, Luiz Cornacchioni destacou a importância e oportunidade da realização do Fórum. “Vale enfatizar que inovação foi o que tornou o agronegócio brasileiro pujante. E inovação só é útil se ela chegar onde é mais necessária, no produtor rural. Nesse sentido, ganha urgência reestruturarmos nossa área de assistência rural. Sem isso, a agricultura brasileira não dará o salto que necessita para continuar produtiva e líder mundial”, concluiu Cornacchioni.

O evento teve o patrocínio da Syngenta e o apoio da FARSUL – Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, FETAG-RS – Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, SARGS – Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul e Sindiveg – Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal.

Fonte: Assessoria de Imprensa