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Recuperação judicial recorde reforça valor de dados

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Alta de empresas em reestruturação expõe pressão econômica e reforça papel da gestão e dos dados

 

O aumento das recuperações judiciais no Brasil deixou de ser um dado pontual para se consolidar como um sinal estrutural do ambiente econômico. No primeiro trimestre deste ano, 5.931 empresas estavam em processo de reestruturação, o maior patamar da série recente, refletindo um cenário persistente de pressão sobre a sustentabilidade financeira das companhias.

O avanço representa crescimento de 4,4% em relação ao trimestre anterior e de 22% na comparação anual. Apenas de janeiro a março, foram deferidos 319 pedidos, concentrando cerca de R$ 18 bilhões em dívidas. Trata-se da 11ª alta consecutiva, evidenciando um ciclo prolongado de dificuldades para o setor produtivo.

Entre os principais fatores que explicam esse movimento estão juros elevados, restrição de crédito, enfraquecimento do consumo e aumento dos custos operacionais — combinação que tem comprimido margens e reduzido a capacidade de geração de caixa das empresas.

“O mercado brasileiro […] tem enfrentado grandes dificuldades para se recuperar pós-pandemia. As oscilações políticas e econômicas globais têm grande impacto no cenário econômico interno”, afirma Denis Barroso Alberto, sócio do Barroso Advogados Associados.

Nesse contexto, a recuperação judicial passa por uma mudança de percepção. Mais do que um último recurso antes da falência, o instrumento ganha espaço como estratégia de reorganização, permitindo renegociação de dívidas, preservação das operações e manutenção de empregos.

“As empresas precisam reavaliar sua estrutura organizacional […] considerando também opções como reestruturação interna e negociação com credores”, destaca Benito Pedro Vieira Santos, sócio da Avante Assessoria Empresarial.

Apesar do avanço do mecanismo, especialistas alertam que o sucesso dos processos está cada vez mais condicionado à qualidade da gestão e ao uso de dados. “Não existe recuperação eficiente sem dados confiáveis. A empresa precisa saber exatamente quanto deve, para quem deve e qual é sua capacidade de geração de caixa”, afirma Gabriel Capano, CEO da Hubcount BI.

A adoção de ferramentas de business intelligence ganha, assim, papel central, permitindo maior controle financeiro, previsibilidade e capacidade de negociação com credores. Sem essa base, mesmo processos juridicamente estruturados tendem a perder eficiência.

Diante desse cenário, o recorde de recuperações judiciais funciona como um alerta para o ambiente empresarial, mas também aponta uma mudança de mentalidade. A diferença entre reestruturação bem-sucedida e agravamento da crise passa, cada vez mais, pela capacidade de gestão, planejamento e uso estratégico da informação.

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