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Zarc redefine o jogo: plantar fora do mapa custa caro

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Ferramenta da Embrapa ganha nova fase e passa a ditar decisões estratégicas no agronegócio

 

Em um cenário cada vez mais pressionado por eventos climáticos extremos, a capacidade de antecipar riscos se tornou um dos pilares da produção agrícola. É nesse contexto que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) completa 30 anos consolidado como uma das principais ferramentas de planejamento do agronegócio brasileiro, orientando desde decisões no campo até a formulação de políticas públicas.

A comemoração das três décadas da iniciativa é realizada hoje, 28 de abril, durante a abertura da 9ª Reunião da Rede Zarc Embrapa, realizada até quinta-feira, 30 de abril, em Brasília. O evento técnico tem participação de pesquisadores de 34 unidades da Embrapa e de outras instituições, representantes de seguradoras, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Banco Central e organizações do setor.

Criado para indicar as janelas de plantio com menor probabilidade de perdas por fatores como seca e geadas, o Zarc hoje abrange mais de 50 culturas em diferentes sistemas produtivos. Ao longo de três décadas, a ferramenta deixou de ser apenas um instrumento técnico para se tornar referência obrigatória em operações de crédito, seguro rural e programas de apoio ao produtor.

A importância do zoneamento vai além da orientação agronômica. Seguir suas recomendações é condição para acessar instrumentos como o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o Proagro e, mais recentemente, o crédito de custeio do Plano Safra, reforçando sua integração com a política agrícola nacional.

“O Zarc auxilia o produtor no planejamento ao indicar as épocas de plantio com menores chances de perdas causadas por eventos meteorológicos adversos”, destaca a Embrapa, ao sintetizar o papel da ferramenta na mitigação de riscos. A evolução recente aponta para um novo estágio. O chamado Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM) incorpora variáveis relacionadas à qualidade do manejo do solo, reconhecendo que práticas agrícolas mais eficientes podem reduzir significativamente o impacto de adversidades climáticas.

“Não basta apenas mapear ‘o que’, ‘onde’ e ‘quando’ plantar. É imperativo […] mostrar também ‘como’ reduzir riscos e continuar produzindo de forma competitiva e sustentável”, afirma Eduardo Monteiro, coordenador da Rede Zarc.
A nova abordagem já começa a ser aplicada em projetos-piloto, inicialmente na cultura da soja no Paraná, com expansão prevista para outros estados e culturas nas próximas safras. A iniciativa reforça a transição do zoneamento para uma ferramenta mais dinâmica, conectada à realidade operacional do produtor.

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