Sistema de câmeras e inteligência artificial da John Deere diferencia alvos e permite ao pulverizador 440R direcionar o herbicida em tempo real
A inteligência artificial começa a mudar uma das lógicas mais tradicionais da pulverização agrícola: em vez de aplicar herbicida continuamente sobre toda a área, a máquina pode identificar onde estão as plantas daninhas e direcionar o produto somente para os pontos necessários. Essa é a proposta da tecnologia See & Spray embarcada no pulverizador 440R, da série 400R da John Deere, apresentado a produtores em Diamantino (MT).
O equipamento utiliza câmeras e inteligência artificial para reconhecer plantas daninhas durante o deslocamento e comandar a aplicação localizada. Segundo informações divulgadas durante uma edição especial da Casa John Deere, a economia de defensivos pode chegar a até 90%, enquanto a redução no consumo de combustível em relação ao modelo anterior pode alcançar 7%.
A demonstração ocorreu na Fazenda Aricá, propriedade de 4.600 hectares das Fazendas Konageski. O pulverizador adquirido pela operação foi o primeiro no Brasil com as configurações de inteligência artificial apresentadas no evento. A atividade reuniu produtores da região e foi promovida pela John Deere em parceria com a Áster, concessionária da marca em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O princípio da tecnologia é combinar visão computacional e pulverização. As câmeras observam a área enquanto a máquina trabalha e o sistema identifica os alvos, permitindo direcionar a aplicação. Para Lucas Konageski, representante do grupo proprietário da Fazenda Aricá, a possibilidade de selecionar cultura e planta daninha a ser combatida acrescenta assertividade à operação.
O impacto potencial ganha dimensão quando se considera a frequência das pulverizações ao longo do ciclo produtivo. Lia Kato, gerente de produto e mercado da John Deere, destaca que o aproveitamento de cada volume de defensivo aplicado torna-se estratégico em propriedades com elevada demanda de operações durante o ano.
A automação não se restringe à identificação das plantas. Durante a demonstração, a fabricante também apresentou recursos para automatizar manobras de cabeceira, além das características de precisão e desempenho operacional do pulverizador.
O avanço desse tipo de tecnologia sinaliza uma mudança importante na mecanização agrícola. A capacidade operacional continua relevante, mas passa a dividir espaço com outro indicador: quanto do insumo transportado no tanque realmente precisava ser aplicado.
Nesse contexto, câmeras, algoritmos e automação transformam o pulverizador também em uma plataforma de tomada de decisão. Para o produtor, a equação envolve redução potencial de custos e maior precisão; do ponto de vista ambiental, aplicar somente onde existe alvo pode significar menor quantidade de produto utilizada por área.
A apresentação em Diamantino mostra, sobretudo, como recursos de inteligência artificial começam a chegar às operações comerciais brasileiras. Em vez de apenas orientar o operador, a tecnologia passa a interpretar o que encontra à frente e interferir diretamente na aplicação — uma mudança que aproxima cada vez mais mecanização, sensoriamento e decisão agronômica.


