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Leite sobe em julho, mas mercado sinaliza virada

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Preço ao produtor avança 4,65% no mês, enquanto maior oferta, importações e mercado de derivados indicam pressão sobre as cotações

 

O produtor de leite recebeu mais pela matéria-prima em julho, mas a valorização pode estar próxima de perder força. A “Média Brasil” líquida calculada pelo Cepea alcançou R$ 2,8761 por litro, avanço real de 4,65% sobre junho e de 4,96% em relação a julho de 2025. Para os próximos meses, entretanto, aumento da oferta, crescimento das importações e dificuldades nas negociações de alguns derivados formam um cenário de pressão sobre as cotações.

A alta de julho foi sustentada pela boa demanda por leite UHT, estoques considerados confortáveis e crescimento mais lento da captação em algumas regiões. Esse conjunto manteve a disputa dos laticínios pela matéria-prima. Ainda assim, a disponibilidade de leite começou a reagir. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 2,38% de junho para julho, embora ainda acumule queda de 9,3% no ano.

Do lado do produtor, os custos deram alguma trégua. O Custo Operacional Efetivo (COE) recuou ligeiramente, 0,31%, permanecendo praticamente estável pelo segundo mês consecutivo. Há, porém, um ponto de atenção: milho e farelo de soja se valorizaram em julho. Os estoques de ração produzidos anteriormente a custos menores impediram impacto imediato mais intenso nos concentrados, mas o Cepea considera que a alta das matérias-primas pode chegar aos preços ao longo de agosto.

Pressão vem também de fora

Enquanto o leite cru se valorizou, a indústria encontrou maior dificuldade para preservar margens no mercado de derivados. As negociações de muçarela e leite em pó perderam ritmo em julho. O UHT seguiu em direção diferente, com valorização de 7,35% em relação a junho.

As importações adicionaram outro componente à equação. O Brasil adquiriu no exterior 236,3 milhões de litros em equivalente-leite em julho, volume 9,01% superior ao de junho e 33,49% maior que o registrado em julho de 2025. Somente de junho para julho, as compras externas de leite em pó cresceram 7,54%, enquanto as de queijos avançaram 12,7%.

Esse produto chega justamente quando a captação doméstica começa a apresentar recuperação. O resultado é maior disponibilidade no mercado interno e pressão adicional sobre as negociações entre produtores, laticínios e compradores de derivados.

O comportamento das próximas semanas, portanto, deve ser diferente daquele que levou à valorização de julho. Segundo o Cepea, a expectativa é que o final do terceiro trimestre seja marcado por recuo das cotações do leite cru, influenciado pelo aumento da oferta, pelas importações e pelo comportamento dos preços dos derivados.

Para o produtor, o cenário reúne sinais em direções opostas: o preço recebido melhorou e os custos permaneceram relativamente estáveis em julho, mas tanto a receita quanto as despesas podem mudar de trajetória. De um lado, cresce a pressão sobre o valor do leite; de outro, a valorização recente de milho e farelo de soja pode voltar a encarecer a alimentação do rebanho.

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