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Agro fecha o ciclo das embalagens de defensivos

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Brasil destina corretamente 100% das embalagens vazias de defensivos e recicla 92%; indústria transforma resíduo em novas embalagens

 

Em um país que ainda recicla uma parcela pequena dos resíduos urbanos, as embalagens de defensivos agrícolas apresentam uma realidade bastante diferente. No Brasil, 100% das embalagens vazias desse segmento recebem destinação correta e 92% seguem para reciclagem, segundo dados apresentados pela Campo Limpo Reciclagem. O desempenho coloca o agronegócio brasileiro em posição de destaque na logística reversa e mostra como a economia circular pode funcionar quando existe uma cadeia organizada para receber, processar e reutilizar o material.

O contraste é expressivo. Apenas 8,3% dos resíduos sólidos urbanos brasileiros são reciclados, conforme o Panorama dos Resíduos Sólidos da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). No caso das embalagens de defensivos, o índice brasileiro de reciclagem também supera os percentuais de Estados Unidos (33%), Japão (50%), Alemanha (cerca de 70%) e França (75% a 77%).

Parte da explicação está na capacidade de transformar aquilo que retorna do campo em matéria-prima para o próprio setor. As embalagens vazias devolvidas pelos agricultores às unidades do Sistema Campo Limpo são processadas e dão origem a novas embalagens para defensivos. O modelo cria, assim, um circuito no qual o plástico pós-consumo retorna à cadeia produtiva em vez de simplesmente chegar ao fim de sua vida útil.

A Campo Limpo Reciclagem atua na etapa industrial desse processo. Segundo o presidente da companhia, Marcelo Okamura, a existência de uma indústria capaz de absorver o material retornado e transformá-lo em produto seguro e economicamente viável é um dos fatores que diferenciam a logística reversa do agro.

“O agro destoa positivamente do restante dos segmentos porque criamos uma solução real, unindo tecnologia própria e escala industrial”, afirma. Para o executivo, o sistema permite transformar aquilo que poderia representar um passivo ambiental em uma nova embalagem e, dessa maneira, fechar o ciclo.

Fundada em 2008, a empresa desenvolve tecnologias de reciclagem e produz embalagens para defensivos utilizando resina reciclada pós-consumo proveniente do Sistema Campo Limpo. O processo é proprietário, possui certificação UN para transporte terrestre e marítimo de produtos perigosos e recebeu patente verde do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A engrenagem, porém, começa antes da indústria. Após a utilização do produto, cabe ao agricultor devolver as embalagens vazias, depois da tríplice lavagem quando aplicável, ao sistema. A logística reversa é realizada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), permitindo que o material pós-consumo volte à própria cadeia agrícola.

A Campo Limpo mantém duas subsidiárias em Taubaté (SP) e uma filial em Ribeirão Preto (SP), inaugurada em 2018. A estrutura industrial completa um modelo no qual responsabilidade compartilhada, logística e tecnologia se conectam. Mais do que recolher embalagens, o diferencial está em encontrar destino produtivo para elas — etapa decisiva para transformar logística reversa em economia circular.

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