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Setor produtivo cobra avanço de agenda para data centers

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Carta aberta pede coordenação entre Câmara e Senado para aprovação do REDATA diante da disputa internacional por novos investimentos

 

Em meio à expansão mundial da inteligência artificial, computação em nuvem e processamento de grandes volumes de dados, o Brasil tenta ampliar sua participação na disputa pelos investimentos destinados à infraestrutura digital. Uma coalizão formada por entidades do setor produtivo e Frentes Parlamentares intensificou a mobilização no Congresso para acelerar a aprovação do PL 278/2026, o REDATA.

Em carta aberta encaminhada ao Congresso Nacional, o grupo pede atuação coordenada entre Câmara dos Deputados e Senado para concluir a análise da proposta. Segundo a Amcham Brasil, uma das participantes da mobilização, existe atualmente uma janela para atração de grandes investimentos em infraestrutura de data centers, enquanto diferentes países competem pela instalação desses projetos.

O movimento ocorre após compromisso construído entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Davi Alcolumbre e Hugo Motta em torno do avanço da proposta. Para as entidades, previsibilidade e segurança regulatória serão determinantes na decisão das empresas sobre onde direcionar novos recursos.

A discussão não se restringe à infraestrutura de processamento de dados. Um dos pontos defendidos pela Amcham é o avanço da Emenda 22, que contempla fontes firmes de energia, como gás natural, energia nuclear e biometano, de forma complementar às renováveis.

A inclusão do tema energético decorre de uma característica essencial dos data centers: a necessidade de operação contínua. Na posição defendida pela entidade, diversificar as fontes disponíveis contribuiria para assegurar o fornecimento necessário a esses empreendimentos.

É justamente nesse ponto que o debate pode se aproximar do agronegócio. O biometano, produzido a partir da purificação do biogás, pode ter origem em resíduos agropecuários e agroindustriais. Essa conexão decorre da inclusão do biometano entre as fontes defendidas na Emenda 22.

Outra peça considerada necessária pela Amcham é o PLP 74/2026, relacionado aos aspectos orçamentários e financeiros para implementação do REDATA. A articulação antecede a atual movimentação parlamentar. Em 2025, a Amcham promoveu na Califórnia (EUA) um encontro com o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para apresentar a agenda a empresas americanas e investidores. Em 2026, o tema passou a integrar as Prioridades Legislativas da entidade e entrou nas conversas com Executivo e lideranças do Congresso.

Na avaliação da organização, a expansão dos data centers poderia gerar efeitos além dos investimentos diretamente associados às instalações, estimulando novas cadeias, empregos, inovação e desenvolvimento tecnológico e fortalecendo a infraestrutura digital brasileira.

A mobilização ocorre, portanto, em torno de uma corrida na qual infraestrutura, energia e ambiente regulatório se tornam componentes de uma mesma decisão. O desafio será converter as vantagens apontadas pelas entidades em condições capazes de efetivamente colocar o Brasil entre os destinos competitivos dessa nova onda de investimentos.

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