Entidade mineira alerta para impacto sobre carnes, mel, lácteos e ovos caso Brasil fique fora de lista europeia
As novas exigências sanitárias da União Europeia começaram a provocar reação crescente no setor produtivo brasileiro. Em meio à discussão sobre critérios ligados ao uso de antimicrobianos na produção animal, entidades empresariais passaram a demonstrar preocupação com o risco de restrições comerciais capazes de atingir cadeias relevantes do agronegócio nacional — especialmente carnes, lácteos, ovos, pescados e mel.
A mais recente manifestação veio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que acompanha com atenção a lista preliminar divulgada pela Comissão Europeia. No documento, o Brasil aparece fora da relação de países habilitados a exportar determinados produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco europeu. A medida ainda não é definitiva, mas ampliou o nível de alerta entre empresas e exportadores.
O receio envolve não apenas o impacto comercial imediato, mas também os efeitos sobre previsibilidade regulatória e competitividade internacional do setor brasileiro.
Segundo levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, os segmentos potencialmente afetados movimentaram US$ 33,44 bilhões em exportações brasileiras em 2025. Desse total, US$ 1,81 bilhão tiveram como destino a União Europeia. Em Minas Gerais, os embarques das cadeias impactadas alcançaram US$ 1,9 bilhão, sendo US$ 82,28 milhões destinados ao mercado europeu.
A entidade avalia que a possível exclusão do Brasil compromete justamente setores considerados estratégicos dentro do acordo Mercosul-União Europeia.
“Mesmo representando uma parcela ainda limitada dos embarques totais, o mercado europeu tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos, especialmente nas cadeias de carnes e mel, produtos de forte relevância para Minas Gerais e para o Brasil”, afirma Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG.
Segundo a executiva, a medida reduz parte dos ganhos esperados com o acordo comercial recém-firmado entre os dois blocos. “Esses estão entre os segmentos mais beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia, considerando que boa parte das exportações mineiras ao bloco é composta por produtos minerais e insumos industriais que já possuem isenção tarifária”, afirma Verônica Winter.
A FIEMG também reforçou que o Brasil possui sistemas sanitários reconhecidos internacionalmente e que o País avançou nos últimos anos em rastreabilidade, controle veterinário e uso responsável de medicamentos.
Na avaliação da entidade, medidas sanitárias precisam seguir critérios técnicos, científicos e transparentes, evitando que regras legítimas de controle se transformem em barreiras comerciais indiretas. O episódio amplia uma tendência que já vem sendo observada no comércio agropecuário internacional: exigências sanitárias, ambientais e regulatórias passaram a funcionar não apenas como instrumentos de segurança alimentar, mas também como fatores estratégicos de competitividade global.
Para o setor produtivo brasileiro, o desafio agora será combinar diplomacia técnica, alinhamento regulatório e capacidade de negociação para evitar que a nova exigência europeia provoque perda de espaço em um mercado considerado estratégico para produtos de maior valor agregado.




