Sem querer parecer ‘profeta de más notícias’.
Mas nunca acreditei num acordo comercial entre países do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e os países da União Europeia.
E sempre escrevi sobre isso aqui.
Até depois de assinaturas formais entre políticos que representam as nações da América do Sul e a Executiva da União Europeia.
Neste ano e no fim do ano passado.
E porque penso assim?
Porque os produtores rurais, os políticos e os eleitores da Europa não vão permitir.
Mesmo que os consumidores daquele continente paguem mais caro por alimentos como carne, leite, frutas.
Eles têm medo de desemprego, no campo e na cidade.
E sempre vão inventar alguma desculpa.
Desta vez, foi uma tal padronização da rastreabilidade na cadeia produtiva da carne bovina, tratando de antimicrobianos, novidade de última hora inventada para ‘garantir o acesso ao mercado europeu’.
Várias entidades brasileiras e o governo federal reclamaram.
Não vai adiantar.
O Brasil garante que cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia.
Não basta.
E não bastará.
Vamos entender.
O Brasil exporta vários produtos agropecuários para a Europa.
Há muito tempo.
Carnes, frutas, celulose, etc.
O tal Acordo não trata de exportação.
E, sim, de aumentar o fluxo de comércio baixando impostos de lado a lado.
Nada no universo fica igual.
Tudo pode mudar.
Mas acho difícil que vingue de forma profícua o tal acordo de diminuição de tarifas para produtos do campo entre europeus e sul-americanos.
Por que?
Porque ouvi de líderes europeus em um encontro sobre Pecuária, em Punta Del Leste, no Uruguai, em 2014.
Uma justificativa simples, mesmo que nos incomode
“Nós não tomamos essas decisões porque queremos. E, sim, porque os nossos eleitores exigem”.
Mais claro, impossível!