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Cotonicultura reage à escalada das pragas

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Abrapa reúne especialistas do Brasil e Austrália para discutir resistência de pragas, biológicos e eficiência produtiva

 

A cotonicultura brasileira entrou em uma nova etapa da disputa fitossanitária no campo. Com o aumento da resistência de pragas, maior pressão sobre custos de produção e necessidade crescente de preservar tecnologias agrícolas, produtores e pesquisadores passaram a tratar o manejo integrado como uma questão estratégica para a sustentabilidade econômica do algodão no Brasil.É nesse contexto que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) promove no dia 14 deste mês, em Brasília (DF), o Workshop de MIPD 2026, reunindo especialistas do Brasil e da Austrália para debater soluções voltadas ao controle de pragas e doenças do algodoeiro. O encontro terá foco em eficiência no uso de insumos, preservação de biotecnologias e ampliação do uso de ferramentas biológicas no manejo agrícola.

A preocupação do setor não é pontual. O avanço da resistência de insetos e patógenos vem pressionando sistemas produtivos em diversas regiões agrícolas do mundo, elevando custos e reduzindo a eficácia de tecnologias antes consideradas altamente eficientes.

Entre os principais desafios discutidos no evento estarão o controle do bicudo-do-algodoeiro, o manejo de lagartas e doenças como Ramulariopsis pseudoglycines e Corynespora cassiicola — problemas que afetam produtividade, qualidade da fibra e rentabilidade das lavouras.

Segundo Fábio Carneiro, gerente de sustentabilidade da Abrapa, o manejo integrado já se consolidou como prioridade estratégica dentro do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). “No ABR o manejo integrado de pragas é um tema prioritário por entendermos que o uso eficiente de insumos é estratégico para a cotonicultura nacional. As práticas fazem parte das exigências que os produtores participantes do programa devem cumprir”, afirma Fábio Carneiro, gerente de sustentabilidade da Abrapa.

O avanço do uso de bioinsumos é um dos sinais mais claros dessa transformação. De acordo com levantamento realizado pela entidade em 2025, 79,8% das 470 fazendas certificadas pelo ABR já utilizam bioinsumos no controle de pragas e doenças.
Para Carneiro, o movimento reflete uma busca crescente por soluções mais sustentáveis e eficientes no campo. “Em 2025, a Abrapa realizou um estudo com 470 fazendas certificadas pelo ABR e descobriu que 79,8% delas já fazem a utilização de bioinsumos no controle de pragas e doenças”, afirma.

A programação do workshop também inclui debates sobre destruição de soqueira, fortalecimento do refúgio, ferramentas seletivas e estratégias colaborativas de manejo — medidas consideradas essenciais para reduzir pressão de seleção sobre insetos e preservar tecnologias Bt disponíveis no mercado.

Outro ponto relevante é o caráter internacional do encontro. A participação de cotonicultores australianos amplia a troca de experiências em torno de modelos de manejo já aplicados em outras regiões produtoras, especialmente em países que enfrentam desafios semelhantes de resistência e sustentabilidade.

O avanço dessas discussões evidencia uma mudança estrutural na cotonicultura. Mais do que ampliar produtividade, o setor busca construir sistemas agrícolas capazes de manter eficiência técnica e econômica diante de um ambiente cada vez mais pressionado por custos, clima e resistência biológica. No centro dessa estratégia, o manejo integrado deixa de ser apenas uma recomendação agronômica e passa a funcionar como um dos principais pilares da competitividade do algodão brasileiro.

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