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Crises globais pressionam fruticultura brasileira

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Tarifas, conflitos geopolíticos e gargalos logísticos ampliam pressão sobre uma das cadeias mais intensivas do agro brasileiro

 

A instabilidade geopolítica internacional começou a atingir de forma mais intensa uma das cadeias mais sensíveis do agronegócio brasileiro: a fruticultura. Dependente de logística eficiente, acesso a mercados externos e forte competitividade internacional, o setor enfrenta uma combinação crescente de tarifas comerciais, custos operacionais elevados, mudanças climáticas e insegurança global que já afeta produtores e exportadores em diferentes regiões do país.

O tema será debatido no encontro online “Fruticultura brasileira: como crises globais impactam o que chega à sua mesa”, promovido pela Rede de Socioeconomia da Agricultura da Embrapa (RSA) no próximo dia 14 de maio. O evento reunirá pesquisadores, economistas e representantes do setor produtivo para analisar os impactos econômicos, tecnológicos e geopolíticos sobre as principais cadeias de frutas brasileiras.

O avanço da tensão internacional já produz efeitos concretos sobre produtos estratégicos. As cadeias de manga e uva, por exemplo, vêm sendo pressionadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelas incertezas geradas por conflitos no Oriente Médio, especialmente após o agravamento da crise envolvendo o Irã. O cenário amplia custos, reduz previsibilidade comercial e afeta diretamente decisões de investimento e expansão produtiva.

Segundo Pedro Gama, pesquisador da Embrapa Semiárido e integrante da RSA, o objetivo do encontro é ampliar a compreensão sobre os desafios estruturais da atividade. “O debate pretende ampliar a compreensão sobre os principais desafios da fruticultura brasileira e contribuir para a busca de soluções”, afirma Pedro Gama, pesquisador da Embrapa Semiárido e integrante da Rede de Socioeconomia da Agricultura da Embrapa.

De acordo com o pesquisador, a proposta também envolve identificar prioridades para pesquisa, inovação e fortalecimento das cadeias produtivas. “Queremos discutir oportunidades para fortalecer a competitividade do setor diante das mudanças no cenário global”, afirma.

A fruticultura brasileira possui peso econômico crescente e forte impacto social, especialmente no Nordeste. Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte concentram cadeias altamente exportadoras, com destaque para manga, melão, melancia e uva. Já São Paulo lidera nos embarques de limões e limas, enquanto o Espírito Santo se destaca na produção de mamão.
Juntos, esses estados responderam por aproximadamente 77% da receita brasileira de exportação de frutas em 2025, em um mercado que se aproximou de US$ 1,5 bilhão.

Além das tensões comerciais, o setor enfrenta gargalos históricos ligados à logística, disponibilidade de mão de obra, adaptação tecnológica e variabilidade climática. Como grande parte das frutas depende de transporte rápido e conservação rigorosa, qualquer alteração no ambiente global tende a gerar impactos mais imediatos sobre custos e competitividade.

O debate promovido pela Embrapa também buscará mapear oportunidades de reposicionamento estratégico para a cadeia brasileira diante das mudanças internacionais. Entre os convidados estão Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro; Margarete Boteon, pesquisadora do Cepea/Esalq-USP; Edis Ken Matsumoto, presidente da Cooperativa Agrícola Nova Aliança (Coana); e João Ricardo F. de Lima, pesquisador da Embrapa Semiárido.

Mais do que discutir comércio exterior, o encontro evidencia uma mudança estrutural no agro global: cadeias antes consideradas relativamente estáveis passam agora a operar sob influência direta de disputas geopolíticas, reorganização de mercados e pressão crescente por eficiência logística e tecnológica.

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