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Exportações do agro gaúcho retomam força

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Soja, milho e proteínas animais impulsionam embarques do Rio Grande do Sul em abril e reforçam recuperação exportadora

 

Depois de meses marcados por retração parcial em segmentos relevantes da pauta agroexportadora, abril trouxe um sinal mais consistente de retomada para o agronegócio do Rio Grande do Sul. Impulsionado sobretudo pela recuperação da soja, pelo avanço do milho e pelo desempenho das proteínas animais, o Estado voltou a acelerar suas vendas externas, ampliando receita, volume embarcado e diversificação de mercados.

Dados divulgados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostram que o agronegócio gaúcho exportou US$ 1,17 bilhão em abril de 2026, avanço de 37,6% sobre o mesmo mês do ano passado. O crescimento foi ainda mais intenso em volume, que saltou 59,3%, alcançando 1,78 milhão de toneladas embarcadas. O desempenho elevou a participação do setor para 67% do total exportado pelo Estado no período.

Segundo a entidade, o movimento indica uma recuperação mais estrutural da pauta exportadora, e não apenas uma valorização pontual dos produtos comercializados.

“O resultado do mês refletiu mais expansão efetiva de quantidades do que mera melhora de composição”, destaca o relatório mensal de comércio exterior do agronegócio gaúcho elaborado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul.

A soja voltou ao centro dessa recuperação. O complexo soja registrou forte reação em abril, puxado principalmente pela retomada dos embarques do grão, além do farelo e do óleo bruto. As exportações de soja em grãos cresceram 122,7% em valor e 106,4% em volume, impulsionadas especialmente pela demanda chinesa. A entrada mais efetiva da nova safra no mercado ajudou a aliviar as restrições de oferta que ainda limitavam os embarques no primeiro trimestre.

Além da oleaginosa, milho, carne suína, bovinos vivos e carne bovina também tiveram papel relevante no avanço exportador. No caso da proteína animal, as Filipinas continuaram liderando as compras de carne suína gaúcha, enquanto a Turquia concentrou praticamente todo o fluxo de exportações de bovinos vivos. Já a carne bovina manteve a China como principal destino, mesmo em um cenário de maior restrição tarifária ao produto brasileiro.

Os Estados Unidos também ganharam relevância no período e se consolidaram como o segundo principal destino das exportações do agro gaúcho em abril, somando US$ 93,7 milhões em compras. Ainda assim, a própria Farsul pondera que parte desse desempenho pode refletir contratos negociados antes da implementação da tarifa global de 10% anunciada pelos norte-americanos.

A recomposição exportadora também ficou evidente na diversificação geográfica dos embarques. Embora a China tenha retomado a liderança entre os destinos, países como Filipinas, Índia, Vietnã, Egito, Turquia e Países Baixos ampliaram participação, reduzindo a dependência de mercados historicamente dominantes para itens como trigo e fumo.

Nem todos os segmentos, porém, acompanharam o movimento positivo. O trigo sofreu retração expressiva, com queda superior a 68% tanto em valor quanto em volume, reflexo da elevada base de comparação de 2025 e do ambiente internacional de forte concorrência. O arroz também perdeu ritmo, pressionado por baixa liquidez e dificuldades de escoamento no mercado gaúcho.

Mesmo assim, o saldo consolidado do quadrimestre indica recuperação gradual do comércio externo do agro do Estado. Entre janeiro e abril, as exportações do setor somaram US$ 4,26 bilhões, crescimento de 3,5% sobre igual período do ano passado, com avanço de 3,8% em volume embarcado.

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