Avanço da regulação ambiental fortalece a economia circular, amplia a demanda por matéria-prima reciclada e impulsiona novos investimentos
O mercado brasileiro de resinas plásticas recicladas vive um ciclo de expansão impulsionado pelo avanço da legislação ambiental e pelo fortalecimento das políticas de economia circular. Em 2024, o segmento movimentou R$ 4 bilhões, refletindo o aumento da demanda por materiais reciclados, a consolidação da logística reversa e a crescente incorporação de práticas de ESG pela indústria nacional. O cenário também amplia oportunidades para empresas especializadas em reciclagem e transformação de plásticos pós-consumo.
A mudança é resultado de um conjunto de medidas regulatórias que vem estimulando o reaproveitamento de resíduos e restringindo alternativas menos sustentáveis. Além da evolução da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), novas normas aprovadas nos últimos meses reforçaram a utilização de matéria-prima reciclada e consolidaram um ambiente mais favorável aos investimentos em circularidade.
Dados do Movimento Plástico Transforma, parceiro da Rede Pela Circularidade do Plástico, indicam que a reciclagem de plásticos pós-consumo já ultrapassa 1,01 milhão de toneladas por ano no Brasil. Para Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo Plásticos, esse desempenho demonstra a capacidade da cadeia produtiva nacional de transformar resíduos em novos insumos industriais. “A reciclagem de plásticos pós-consumo no Brasil já supera a marca de 1,01 milhão de toneladas por ano, o que evidencia a capacidade do país de transformar plásticos já utilizados em novos recursos produtivos, gerando valor”, afirma.
Segundo Okamura, a evolução ambiental também vem acompanhada de resultados econômicos. “A eficiência desse modelo sustentável reflete diretamente nos negócios. No ano passado, faturamos mais de R$ 500 milhões, nosso recorde. Isso comprova a plena viabilidade financeira do que fazemos e a importância das resinas recicladas para os negócios. Para 2026, devemos seguir crescendo, com aumento de 10%, no faturamento, em comparação com o ano anterior”, destaca.
Entre as mudanças regulatórias mais recentes está a Lei nº 15.088/2025, que proibiu a importação de resíduos sólidos e rejeitos, incluindo plásticos, direcionando a demanda para fornecedores brasileiros de resina reciclada. Também entrou em vigor o Decreto nº 12.688/2025, que instituiu o Sistema de Logística Reversa para embalagens plásticas, com foco na ampliação da economia circular, no fortalecimento da infraestrutura de reciclagem e na inclusão de cooperativas de catadores. O sistema, porém, não se aplica às embalagens de defensivos agrícolas, que permanecem vinculadas a um modelo específico de logística reversa.
Nesse segmento, destaca-se o trabalho desenvolvido pela Campo Limpo Plásticos, empresa ligada ao Sistema Campo Limpo. A companhia produz embalagens para defensivos agrícolas utilizando resina reciclada proveniente das embalagens devolvidas pelos produtores rurais após a tríplice lavagem. Para Okamura, o avanço regulatório confirma uma tendência irreversível. “Toda a indústria deve estar ciente de que transformar desafios ambientais e legais em recursos valiosos para toda a cadeia produtiva é uma necessidade”, conclui.




