Envio de 189 novilhas prenhes abre mercado para a genética leiteira brasileira e integra projeto que prevê mil animais no país africano
A genética bovina brasileira conquistou um novo mercado internacional com o embarque do primeiro lote de animais da raça Girolando para Botswana. Ao todo, 189 novilhas prenhes deixaram o Brasil neste mês de julho com destino ao país africano, dando início a um programa de importação que prevê a incorporação de mil vacas leiteiras de alto desempenho ao rebanho local. A iniciativa representa a primeira exportação de animais Girolando para Botswana e amplia a presença da pecuária leiteira brasileira no continente africano.

Os animais partiram de avião no dia 11 de julho e seguiram para a Fazenda Milk Valley, em Lobatse, empreendimento pertencente à Botswana Development Corporation (BDC), agência governamental voltada ao desenvolvimento econômico do país. A escolha pela raça brasileira foi motivada pela combinação entre elevada produção de leite, rusticidade e capacidade de adaptação a ambientes tropicais e semiáridos, características consideradas estratégicas para os objetivos de expansão da produção leiteira em Botswana.
Segundo Oteng Keabetswe, diretor-geral da Botswana Development Corporation (BDC), a chegada da genética brasileira representa um passo importante para o desenvolvimento da cadeia leiteira nacional. “Este investimento fortalecerá a produção nacional de leite, criará empregos, desenvolverá habilidades locais e contribuirá significativamente para os objetivos de segurança alimentar e diversificação econômica de Botswana. É um investimento estratégico da BDC para fortalecer a indústria de laticínios do Botswana, aumentar a segurança alimentar nacional, reduzir a dependência de produtos lácteos importados e contribuir para a agenda de diversificação econômica do país.”
A exportação foi realizada pela Fazenda Floresta, de Lins (SP), filiada da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Para Roberta Bertin, criadora responsável pelo lote, o embarque representa a abertura de uma nova oportunidade para a pecuária leiteira nacional. “É a primeira exportação de material genético bovino do Brasil para Botswana, abrindo uma nova fronteira para a genética leiteira brasileira no continente africano. Foram enviados animais de alto mérito genético, reconhecidos por sua produtividade, adaptação e eficiência, o que contribuirá para o desenvolvimento da produção de leite no país. A raça Girolando brasileiro reafirma, mais uma vez, sua posição como referência mundial em genética e produção de leite em clima tropical.”
As negociações para abertura desse mercado começaram em maio de 2025 e foram concluídas em março deste ano. O projeto Brazilian Girolando, da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, participou do processo fornecendo informações técnicas e certificando a genealogia dos animais exportados. Conforme explica Marcello Cembranelli, gestor do Brazilian Girolando, todos os exemplares selecionados para exportação contam com o registro genealógico emitido pela Associação, certificando que todos têm genealogia comprovada na raça Girolando. “Essa garantia de origem é essencial para um projeto como o do governo de Botswana, que pretende utilizar essa genética como base para multiplicar o rebanho leiteiro da Milk Valley”, destaca Cembranelli.
A estratégia da BDC prevê a introdução gradual dos animais para facilitar a adaptação ao ambiente, acompanhar indicadores sanitários e consolidar a infraestrutura da fazenda antes da chegada dos próximos lotes. No longo prazo, a meta é formar um rebanho de aproximadamente 3 mil bovinos leiteiros, fortalecendo a produção nacional, reduzindo a dependência de importações de lácteos e estimulando diferentes segmentos da cadeia agropecuária do país, da produção de forragens ao processamento e distribuição de leite.




