Valor pago ao produtor avança em maio, enquanto importações elevadas ampliam o desequilíbrio da balança comercial de lácteos
O mercado brasileiro de leite iniciou o segundo semestre com sinais distintos entre os indicadores domésticos e o comércio exterior. Enquanto o preço pago ao produtor manteve trajetória de recuperação em maio, as importações continuaram elevadas e ampliaram o déficit da balança comercial de lácteos. O resultado reforça o desafio de equilibrar a remuneração da produção nacional diante da forte presença de produtos importados no mercado brasileiro.
Os dados constam na edição de julho do boletim Indicadores Leite e Derivados, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite. O levantamento mostra que o preço médio nacional pago ao produtor atingiu R$ 2,67 por litro em maio de 2026, alta de 0,3% em relação a abril e de 0,9% frente ao mesmo mês do ano passado. Entre os principais estados produtores, Minas Gerais apresentou a maior remuneração média (R$ 2,77/litro), seguido por São Paulo (R$ 2,70), Paraná (R$ 2,68), Goiás (R$ 2,63), Santa Catarina (R$ 2,63) e Rio Grande do Sul (R$ 2,49).
Outro indicador favorável ao produtor foi a relação de troca entre leite e mistura (70% milho e 30% farelo de soja). Em maio, foram necessários 29,9 litros de leite para adquirir 60 quilos da mistura, mostrando melhora frente ao mês anterior e ampliando o poder de compra do pecuarista em relação aos principais insumos da alimentação animal.
No varejo, o comportamento dos derivados permaneceu relativamente estável. A cesta de lácteos registrou alta média de 0,2% em junho, impulsionada principalmente pelo iogurte (+0,7%) e pelo queijo (+0,5%). Em contrapartida, leite UHT (-0,2%) e manteiga (-0,4%) apresentaram leve recuo no período.
O principal fator de atenção continua sendo o comércio exterior. As importações brasileiras de leite e derivados somaram 211 milhões de litros equivalentes em junho, redução de 4,2% frente a maio, mas crescimento expressivo de 35,2% em relação ao mesmo mês de 2025. As exportações recuaram para 4,4 milhões de litros equivalentes, queda de 23,9% na comparação mensal e de 13% em 12 meses. Como consequência, o saldo da balança comercial de lácteos acumulado em 2026 alcançou déficit de US$ 519 milhões, equivalente a aproximadamente 1,2 bilhão de litros de leite.
No mercado internacional, os preços também perderam força. O leite em pó integral foi cotado a US$ 3.507 por tonelada, retração de 3,9% sobre o mês anterior, enquanto o leite em pó desnatado caiu 4,7%, para US$ 3.252 por tonelada. O cenário revela que, embora os indicadores internos mostrem alguma recuperação da renda do produtor, a competitividade do leite brasileiro continua condicionada à evolução das importações e ao comportamento do mercado internacional nos próximos meses.




