Genética bovina ganha espaço estratégico em meio à busca por eficiência, produtividade e sustentabilidade no campo
A pressão crescente por produtividade, eficiência alimentar e sustentabilidade vem acelerando uma transformação dentro da pecuária brasileira. Em um ambiente de maior competitividade e margens mais apertadas, o investimento em genética bovina passou a ocupar posição estratégica tanto na produção de carne quanto na cadeia leiteira, impulsionando o avanço da inseminação artificial e fortalecendo o mercado nacional de material genético.
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), em parceria com o Cepea/USP, mostram que mais de 5 milhões de doses de sêmen bovino foram comercializadas no Brasil no primeiro trimestre de 2026. O volume representa crescimento de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Index ASBIA.

O avanço foi puxado principalmente pela pecuária de corte, que registrou forte expansão nos investimentos em melhoramento genético. Apenas nas vendas para cliente final, foram comercializadas 3,09 milhões de doses com aptidão para corte, crescimento de 26,1% frente ao primeiro trimestre de 2025. As exportações da genética brasileira também aceleraram em ritmo expressivo. O volume embarcado de sêmen para corte praticamente dobrou, alcançando 83,5 mil doses e avanço de 99,2% na comparação anual.
Para Luis Adriano Teixeira, presidente da ASBIA, os números refletem não apenas o aumento da demanda interna, mas também o reconhecimento internacional da genética desenvolvida no País. “Os números do primeiro trimestre mostram que esse movimento continua, com praticamente o dobro de doses embarcadas na aptidão corte”, destaca Teixeira.
Segundo ele, a evolução genética das raças adaptadas ao clima tropical brasileiro tem ampliado a competitividade da pecuária nacional. “Isso é resultado de anos de melhoramento das raças no Brasil, especialmente as zebuínas, que demonstram cada vez mais eficiência na produção de carne em regiões tropicais como a nossa.”
Na pecuária leiteira, o mercado também registrou crescimento consistente. Foram comercializadas 1,52 milhão de doses para cliente final, alta de 5,9% e maior volume já registrado para o trimestre na série histórica. O levantamento ainda mostra avanço das importações de material genético. Mais de 1,7 milhão de doses entraram no país no período, crescimento de 54,7%, enquanto a produção nacional somou 4,64 milhões de doses.
“Esse cenário demonstra que o pecuarista brasileiro reconhece a genética como investimento essencial para tornar a pecuária de corte e leite cada vez mais eficiente e sustentável”, ressalta Teixeira. A expansão das técnicas de inseminação artificial também chama atenção. Segundo a ASBIA, a tecnologia já está presente em 3.721 municípios brasileiros, o equivalente a 66,8% das cidades do país.




