Com preços disparando por crise internacional, IAC orienta produtores a rever uso de insumos e buscar mais eficiência
A escalada nos preços dos fertilizantes, impulsionada por tensões geopolíticas internacionais, começa a redesenhar decisões dentro das propriedades rurais brasileiras. Diante de um cenário de custos elevados e incerteza no abastecimento, produtores são pressionados a rever estratégias para preservar margens e manter a produtividade das lavouras.
Com forte dependência externa — cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados — o Brasil sente de forma direta os impactos da crise logística global. O bloqueio de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, e a alta no preço de matérias-primas já provocam distorções no mercado, dificultando até mesmo a formação de preços pelas empresas.
“Nosso objetivo é orientar estrategicamente os agricultores diante da muito provável alta nos preços dos fertilizantes […] consequência da guerra que vem comprometendo a infraestrutura de produção”, afirma Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC).
Diante desse cenário, o IAC recomenda três frentes prioritárias de atuação. A primeira é o uso intensivo de análise de solo, ferramenta essencial para direcionar o investimento com precisão. A segunda envolve a adoção de boas práticas agrícolas que aumentem a eficiência no uso dos insumos. A terceira é a calagem, técnica que melhora as condições do solo e potencializa o aproveitamento dos nutrientes disponíveis.
“A análise de solo permite saber exatamente o que precisa ser reposto […] garantindo aplicação na dose correta e evitando desperdícios”, explica Cantarella. Outro conceito reforçado é o chamado manejo 4C — dose certa, época certa, fertilizante certo e local certo —, considerado essencial para reduzir perdas e maximizar resultados.
A pressão de custos ocorre em um momento delicado, com preços de commodities agrícolas em níveis mais baixos, o que limita a capacidade de repasse ao consumidor. Nesse contexto, o risco é duplo: aumento da inflação, caso os custos sejam transferidos, ou deterioração financeira dos produtores, caso isso não ocorra. Além disso, insumos como o enxofre já registraram altas expressivas, chegando a aumentos entre 300% e 400%, agravando ainda mais o cenário.
Para o IAC, o momento exige não apenas ajustes técnicos, mas também mudança de mentalidade. O uso mais eficiente dos recursos disponíveis, incluindo práticas de economia circular dentro da propriedade, passa a ser determinante para atravessar um período de forte pressão no custo de produção.
Diante de um ambiente global instável, a capacidade de adaptação no campo se torna o principal diferencial competitivo — e a gestão mais precisa dos insumos passa a ser peça-chave para sustentar o agro brasileiro.




