Evento em Palmas reforça avanço do agro tocantinense com crédito inédito, inteligência artificial e diversificação produtiva
O agronegócio do Tocantins se propõe a transformar tecnologia, crédito e rastreabilidade em motores de um novo ciclo de expansão produtiva. Em um cenário no qual eficiência, controle de origem e gestão financeira passaram a definir competitividade no campo, a Agrotins 2026 chega com a proposta de conectar inovação, mercado e financiamento dentro do mesmo ambiente de negócios.
Realizada no Parque Agrotecnológico Engenheiro Agrônomo Mauro Mendanha, em Palmas (TO), a feira inicia oficialmente nesta quarta-feira, 13, e vai até sábado, dia 16, apostando em um modelo inédito para ampliar capacidade de investimento dos produtores: a utilização de créditos acumulados de ICMS na compra de máquinas, implementos e insumos durante o evento. A medida foi estruturada pelo Governo do Tocantins em parceria com a Secretaria da Fazenda (Sefaz) e passa a funcionar como um mecanismo direto de conversão de crédito tributário em investimento produtivo.
A operação contará com atendimento técnico dentro do próprio parque para validar negociações em tempo real, permitindo que os recursos sejam utilizados diretamente junto às empresas expositoras.
Segundo Fred Sodré, secretário de Estado da Agricultura e Pecuária do Tocantins, a iniciativa cria uma nova dinâmica comercial para a feira. “Isso vai realmente fazer um grande diferencial, principalmente para as empresas venderem seus produtos utilizando os créditos de ICMS desses produtores”, afirma Sodré.
A estratégia acompanha o avanço do agronegócio tocantinense, que hoje responde por cerca de 40% da produção de grãos da Região Norte e se aproxima de uma safra de 10 milhões de toneladas. O estado também consolidou posição relevante na pecuária, com rebanho superior a 11 milhões de cabeças e certificação internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2025.
Mais do que uma vitrine de máquinas, a Agrotins amplia neste ano sua atuação como plataforma de inteligência aplicada ao agro. A programação inclui debates sobre inteligência artificial, Agro 4.0, bioinsumos, sucessão patrimonial, gestão estratégica, comercialização agrícola, rastreabilidade bovina e reforma tributária.
A rastreabilidade, inclusive, foi escolhida como eixo temático central da edição de 2026 — reflexo direto da pressão crescente dos mercados internacionais por transparência sanitária, ambiental e controle de origem dos produtos agropecuários.
O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, afirma que a feira passou a concentrar elementos essenciais para o desenvolvimento do setor produtivo. “A Agrotins consolidou-se como o maior evento do agronegócio da região Norte do país, um espaço de negócios, investimentos e oportunidades, principalmente para os agricultores familiares, com uma ampla estrutura, capaz de receber produtores de todo o Estado”, destaca Barbos.
A edição deste ano também reforça a diversificação produtiva como estratégia econômica. Entre as novidades estão vitrines voltadas ao cultivo experimental de lúpulo e baunilha, culturas consideradas promissoras para agregação de valor e geração de renda, especialmente na agricultura familiar.
No caso do lúpulo, o Tocantins aposta nas condições climáticas favoráveis para reduzir dependência externa. “Nós temos água em abundância, sol em abundância e um ambiente favorável para o cultivo do lúpulo”, afirma João Roque, técnico do Ruraltins responsável pela iniciativa.
Segundo o técnico, o objetivo é aproximar produtores de um mercado ainda altamente dependente de importações. “A maior importância dessa vitrine é porque o produtor vai poder ter contato direto com o cultivo, conhecer a planta e entender como funciona o manejo”, afirma Roque.
Depois de movimentar R$ 5,07 bilhões em negócios e receber cerca de 192 mil visitantes em 2025, a Agrotins tenta consolidar em 2026 um novo posicionamento: deixar de ser apenas uma feira regional para atuar como plataforma estratégica da nova fronteira agropecuária brasileira.




