Cooperativa ultrapassa 536 milhões de litros e reforça protagonismo de Castro na pecuária leiteira nacional
A pecuária leiteira brasileira vive um processo acelerado de transformação — e poucos lugares representam essa mudança de forma tão clara quanto Castro, no Paraná. Impulsionada por tecnologia, gestão profissional e eficiência produtiva, a região consolidou um modelo de produção intensiva que elevou produtividade, qualidade e escala a níveis raramente observados no País.
No centro desse movimento está a Castrolanda. Em apenas uma década, a cooperativa mais que dobrou sua produção de leite, saindo de 244 milhões de litros em 2015 para mais de 536 milhões de litros em 2025 — crescimento de aproximadamente 119%. O avanço reforça a posição de Castro como uma das principais bacias leiteiras do Brasil.
A evolução também evidencia uma transformação estrutural na atividade. Ao longo dos últimos anos, a cadeia passou a operar em um ambiente de maior tecnificação, concentração produtiva e profissionalização da gestão dentro das propriedades.
Segundo Agnaldo Bonfim Brandt, coordenador do Pool Leite da Castrolanda, parte do crescimento foi impulsionada por movimentos estratégicos de expansão da cooperativa. “Teve um salto ali em 2022, que tem explicação, a Castrolanda absorveu produtores de outra cooperativa. Não era muito volume, mas impactou nos números”, afirma Brandt.
Mesmo com a redução no número de produtores ao longo dos anos, a produtividade média aumentou significativamente. A lógica predominante passou a ser menos propriedades, porém mais tecnificadas e eficientes. Ainda assim, Brandt ressalta que escala não é o único fator determinante para o desempenho. “Temos propriedades pequenas muito eficientes. Tudo depende do perfil do produtor e da forma como ele conduz a atividade”, acrescenta.
A qualidade do leite tornou-se outro diferencial competitivo da cooperativa. Em 2025, a média de Contagem Padrão em Placas (CPP) da Castrolanda foi de apenas 8,5 mil UFC/mL — índice muito inferior ao limite de 300 mil permitido pela legislação brasileira. Já a Contagem de Células Somáticas (CCS), indicador ligado à saúde mamária das vacas, ficou em 196 mil células/mL, bem abaixo das médias observadas em diversas regiões produtoras do país.
“A nossa qualidade é referência. Quando você compara com a média nacional, a gente está muito acima”, destaca o coordenador. O avanço produtivo ocorreu sem perda relevante de sólidos do leite, fator normalmente pressionado em sistemas de grande escala. A gordura permaneceu próxima de 3,7%, enquanto a proteína evoluiu de 3,31% em 2020 para 3,36% em 2025.
Segundo Brandt, o desempenho está diretamente ligado ao perfil dos cooperados e à adoção contínua de tecnologia. “O nosso produtor é muito profissional. Ele foca na porteira para dentro, naquilo que ele controla: gestão, alimentação, produção”, afirma.
A evolução também passa por bem-estar animal, genética, nutrição e assistência técnica permanente. Para Letícia Gamarano Pires, supervisora da Assistência Técnica da Castrolanda, a consistência dos resultados nasce da integração entre técnicos e produtores. “A assistência técnica representa um pilar estratégico, assegurando padronização, eficiência e evolução constante”, afirma Letícia.




