Agendas da Santa Clara na Expointer revelam desafios que envolvem produtor, indústria, exportação e diferenciação dos lácteos
Manter produtores interessados em permanecer na atividade e, ao mesmo tempo, encontrar mercados capazes de remunerar melhor aquilo que sai das indústrias tornou-se parte de um mesmo desafio para a cadeia leiteira. No Rio Grande do Sul, essa discussão ganhou espaço na Expointer 2026 e colocou lado a lado temas que vão da realidade econômica das propriedades à busca por compradores internacionais.
A equação também passa por crédito, diferenciação dos derivados e condições tributárias. São questões que afetam elos distintos, mas convergem sobre uma pergunta: como aumentar a competitividade de uma cadeia que precisa gerar renda suficiente no campo e, depois da porteira, transformar matéria-prima em produtos capazes de disputar mercados?

Esses temas estiveram entre as agendas acompanhadas pela direção da Cooperativa Santa Clara durante a feira. Um seminário realizado pelo Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do RS (Sindilat) discutiu a competitividade do leite gaúcho, enquanto a Aliança Láctea Sul-Brasileira abordou oportunidades e necessidades para ampliar a presença do setor no mercado internacional.
Outra frente toca diretamente a base produtiva. Junto à Emater, representantes da cooperativa participaram de pesquisa sobre a permanência dos produtores no campo e os fatores relacionados à saída da atividade. A inclusão na agenda evidencia a importância do tema para a cadeia.
A dimensão é relevante no caso da própria Santa Clara. A cooperativa reúne cerca de 5 mil associados em 166 municípios gaúchos, dos quais aproximadamente 2,4 mil são produtores de leite. Anualmente, industrializa cerca de 360 milhões de litros.
O acesso a recursos também apareceu nas discussões da Expointer, com a participação da cooperativa na assinatura de uma linha de crédito junto ao Banrisul.
Valor além do volume
Um movimento de outra natureza mostra como a diferenciação pode complementar a busca por escala. Durante a feira foi formalizada a criação da Associação das Queijarias do Queijo Colonial da Serra Gaúcha, iniciativa relacionada ao projeto de Indicação Geográfica do produto artesanal da região.
Dez agroindústrias participam do projeto, quatro delas localizadas em Carlos Barbosa. A proposta é fortalecer o reconhecimento da origem e a valorização econômica do queijo — caminho que aponta para uma estratégia distinta daquela baseada exclusivamente em volume e preço.
Reforma tributária e efeitos da geopolítica sobre acordos internacionais também integraram a programação acompanhada pela direção da Santa Clara, ao lado de encontros com representantes do governo federal.
“A Expointer tem sua representatividade em trabalhar todos os elos da cadeia do Agro: no campo, na indústria e na economia”, afirma Alexandre Guerra, diretor Administrativo e Financeiro da Cooperativa Santa Clara. Para ele, o ambiente permite discutir mudanças voltadas à eficiência e à competitividade do setor.
As diferentes agendas ajudam a revelar que não existe uma única resposta para o leite gaúcho. Permanência do produtor, financiamento, eficiência industrial, agregação de valor e acesso a novos mercados terão de avançar conjuntamente para que competitividade se traduza em resultado ao longo de toda a cadeia.


