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Seguro rural procura novos caminhos no cooperativismo

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Capilaridade e conhecimento do produtor colocam o cooperativismo no centro da busca por novos modelos de proteção diante do avanço de riscos climáticos e financeiros

 

A mesma estrutura que permite a uma cooperativa conhecer a produção, as necessidades de crédito e a realidade financeira de seus associados pode ajudar a enfrentar um dos gargalos do agronegócio brasileiro: a baixa cobertura do seguro rural. Com eventos climáticos mais frequentes pressionando produtores e operações de crédito, o cooperativismo ganha espaço na discussão sobre como ampliar a proteção financeira no campo e desenvolver produtos capazes de atender perfis muito diferentes de agricultores.

O tema esteve no centro do 3º Fórum IRB(P&D), realizado nesta quarta-feira (26/08), no Rio de Janeiro. Representantes da Sicoob Seguradora, Sicredi e Cresol MT discutiram o papel das cooperativas na redução do chamado gap de proteção — a parcela de riscos que permanece sem cobertura adequada.

A discussão ocorre em um cenário no qual risco climático, seguro e crédito estão cada vez mais conectados. Eventos extremos podem comprometer a produção e, consequentemente, a capacidade do agricultor de cumprir compromissos financeiros e comerciais. Há também os elevados níveis de inadimplência nas operações de crédito.

Uma das vantagens — e simultaneamente um dos desafios — das cooperativas é justamente a diversidade de seu público. Ricardo Balbinot, presidente do Conselho de Administração da Cresol MT, lembrou que uma mesma organização pode atender desde um agricultor de quatro hectares dedicado à produção de hortifrúti até um grande produtor de commodities com exportações, contratos em dólar e comercialização antecipada.

A cooperativa acaba atuando nas duas cadeias”, resumiu. Essa amplitude dificulta soluções padronizadas. Culturas, tamanho das propriedades, capacidade financeira e exposição aos riscos mudam substancialmente, exigindo produtos securitários capazes de acompanhar diferentes realidades.

Seguro não pode caminhar sozinho

Para Marcelo Carneiro, diretor da Sicoob Seguradora, mercado privado e cooperativas podem contribuir para ampliar a cobertura, mas políticas públicas continuam necessárias diante da quantidade de riscos envolvida na produção agropecuária.

Não tem nenhum país do mundo onde políticas públicas não ajudem a produção rural”, afirmou. Na avaliação do executivo, encontrar mecanismos que facilitem a universalização da proteção, ainda que com taxas adequadas a cada risco, pode ajudar a reduzir a lacuna existente.

O debate também envolve a subvenção ao prêmio e aspectos estruturais do mercado, além da tramitação do PL 2951, citado no fórum como proposta destinada a atualizar e reformular o marco legal do seguro rural.

Outro ponto é quem deve absorver o custo da proteção. Jeferson Betemps, gerente de Produtos e Serviços do Sicredi, defendeu a busca por soluções que distribuam melhor essa conta dentro do ecossistema do agronegócio, em vez de deixar exclusivamente ao produtor o custo de proteger operações de crédito, compra de insumos e negócios comerciais.

Nesse cenário, as cooperativas podem assumir uma função que vai além da oferta de uma apólice. Conhecer o cooperado, suas operações e os riscos envolvidos permite aproximar proteção, financiamento e atividade produtiva. O desafio agora é transformar essa proximidade em modelos economicamente viáveis e suficientemente flexíveis para uma agropecuária marcada por realidades muito diferentes — e por riscos que já não podem ser tratados isoladamente.

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