Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

Cerrado vira referência mundial em restauração

Compartilhe:

Iniciativa Araticum reúne ciência, produtores e comunidades tradicionais, já monitora mais de 27 mil hectares e pretende alcançar 2 milhões de hectares

 

Restaurar o Cerrado em grande escala envolve muito mais do que replantar árvores. Exige recuperar diferentes formas de vegetação, reconstruir funções dos ecossistemas, monitorar resultados e, ao mesmo tempo, criar condições para que produtores e comunidades participem economicamente desse processo. Uma experiência brasileira construída com essa abordagem acaba de entrar para o grupo de iniciativas consideradas referência mundial pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro recebeu nesta quarta-feira (26/08) o reconhecimento de World Restoration Flagship, concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O anúncio ocorreu durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, na Mongólia. Com a escolha, o Brasil passa a ser o único país, até o momento, com duas iniciativas reconhecidas nesse grupo.

Criada em 2020, a Araticum funciona como uma rede multissetorial que procura integrar conhecimento científico à experiência de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia participa da governança desde a fundação e coordena a produção, sistematização e difusão de conhecimento técnico.

Os resultados ajudam a dimensionar a iniciativa. Mais de 27 mil hectares em restauração já foram mapeados e são monitorados por plataforma digital georreferenciada. A rede mobiliza mais de 180 organizações, atua diretamente em nove estados e já coletou e levou a campo sementes de mais de 150 espécies nativas, entre árvores, arbustos e gramíneas.

O desafio é muito maior. O Cerrado ocupa mais de 2 milhões de quilômetros quadrados e tem papel importante na regulação hídrica e no armazenamento de carbono. Segundo o material da Embrapa, mais de 50% de sua vegetação nativa já foi perdida pela conversão do uso da terra e pela fragmentação.

A Araticum estabelece como meta chegar a 2 milhões de hectares restaurados até 2030, contribuindo para o compromisso brasileiro de restaurar 12 milhões de hectares.

Restauração também gera renda

Um aspecto relevante do modelo está na formação de uma economia ligada à recuperação ambiental. A cadeia envolve coletores comunitários de sementes, viveiristas e prestadores de serviços de monitoramento, com participação de mulheres e jovens de comunidades tradicionais.

Restaurar o Cerrado vai muito além do plantio: trata-se de recompor o funcionamento e os serviços dos ecossistemas, gerando trabalho e renda”, afirma Daniel Vieira, pesquisador da Embrapa e integrante da coordenação da Araticum.

Para as propriedades rurais, o material aponta ainda oportunidades relacionadas a Pagamento por Serviços Ambientais e sistemas agroflorestais e silvipastoris com espécies nativas de valor econômico, como araticum, baru e pequi.

O reconhecimento internacional também amplia a exposição do projeto. Os avanços passarão a ser acompanhados mundialmente pela plataforma FERM, e a expectativa é que a visibilidade facilite novas cooperações científicas e investimentos.

Mais do que premiar áreas já recuperadas, o reconhecimento coloca em evidência uma questão decisiva para o Cerrado: como transformar restauração ambiental em uma atividade capaz de ganhar escala, incorporar ciência e gerar valor para quem vive e produz no território.

plugins premium WordPress

Encontre na AgroRevenda