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Devolução de embalagens se torna etapa crítica da safra

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Com safra mais intensa, produtores precisam planejar devolução de embalagens para cumprir legislação e evitar riscos ambientais

 

A sustentabilidade no agronegócio brasileiro deixou de ser apenas discurso institucional e passou a interferir diretamente na rotina operacional dentro da porteira. Em meio ao avanço da safra, a devolução de embalagens vazias de defensivos agrícolas ganha peso estratégico e se consolida como uma etapa obrigatória do planejamento produtivo.

O movimento ocorre em um momento histórico para a logística reversa do setor. O Brasil ultrapassou a marca de 900 mil toneladas de embalagens destinadas corretamente desde o início das operações do Sistema Campo Limpo, em 2002 — resultado que consolida o modelo brasileiro como uma das maiores referências globais em gestão ambiental no agro.

Somente em 2025, o sistema registrou a destinação ambientalmente adequada de 75.996 toneladas de embalagens, maior volume anual da série histórica e cerca de 11% superior ao registrado no ano anterior.

O desempenho é resultado de uma engrenagem que envolve produtores rurais, cooperativas, canais de distribuição, indústria e poder público. Na prática, porém, o funcionamento do sistema depende diretamente da organização do agricultor durante a safra.

“Com a rotina mais intensa durante a safra, é fundamental que o produtor se organize para cumprir todas as etapas da devolução. Desde a tríplice lavagem até o agendamento e a entrega nas unidades credenciadas, cada etapa é essencial para garantir a destinação ambientalmente adequada das embalagens e a conformidade com a legislação”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV, entidade que representa a indústria dentro do Sistema Campo Limpo.

O processo exige atenção operacional. Após o uso do defensivo, o produtor deve realizar imediatamente a tríplice lavagem da embalagem, inutilizá-la e armazená-la adequadamente até a devolução. O descarte não é feito nas propriedades: cabe ao agricultor levar os materiais até uma unidade credenciada ou participar de ações de recebimento itinerante promovidas em regiões mais afastadas.

Além do cumprimento legal, o sistema passou a desempenhar papel relevante na reputação ambiental do agronegócio brasileiro. A rastreabilidade das embalagens e a destinação correta tornaram-se indicadores observados por mercados internacionais, pressionando o setor por maior profissionalização e transparência.

A estrutura montada pelo Sistema Campo Limpo revela a dimensão dessa operação. Hoje, são 424 unidades de recebimento, mais de 241 associações de revendas e cooperativas envolvidas e impacto direto sobre aproximadamente 1,8 milhão de propriedades rurais.

O avanço da logística reversa também acompanha uma mudança de comportamento no campo. A sustentabilidade passa a ser tratada menos como obrigação burocrática e mais como componente estratégico da atividade agrícola, especialmente em um ambiente de maior exigência regulatória e pressão internacional.

Ao transformar descarte em responsabilidade compartilhada, o sistema brasileiro reforça uma tendência que tende a ganhar ainda mais força: eficiência produtiva e gestão ambiental caminham cada vez mais juntas dentro do agro moderno.

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