Pesquisa da ABMRA revela que sustentabilidade cresce no agro, mas falta informação ainda limita adesão no campo
O crédito de carbono já entrou na agenda do agronegócio brasileiro, mas ainda está longe de fazer parte da rotina da maior parte dos produtores rurais. Pesquisa inédita da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) mostra que apenas 34% dos agricultores afirmam conhecer o tema — um retrato que evidencia tanto o avanço da pauta ambiental quanto as dificuldades de transformar sustentabilidade em prática consolidada no campo.
O levantamento, realizado na 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, revela que, dentro desse grupo que possui algum nível de conhecimento, somente 24% já participam de iniciativas ligadas ao crédito de carbono. A principal ação desenvolvida pelos produtores é a conservação de áreas naturais, mencionada por 66% dos entrevistados envolvidos nessas práticas.
Os dados reforçam uma mudança importante na percepção ambiental do agro brasileiro. Hoje, 86% dos produtores afirmam acreditar que as mudanças climáticas irão impactar diretamente a produção agrícola — um índice que demonstra o crescimento da preocupação com eventos extremos, produtividade e estabilidade econômica da atividade rural.
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que o avanço das práticas sustentáveis ainda enfrenta obstáculos estruturais. Apenas 31% dos entrevistados classificam como altas ou muito altas as barreiras para adoção dessas técnicas, mas a lista de dificuldades inclui falta de informação clara, ausência de apoio técnico, limitações de acesso a recursos e insegurança sobre o retorno econômico das iniciativas ambientais.
“Há uma oportunidade clara para as marcas ampliarem a comunicação e levarem conhecimento para o produtor sobre o que já é feito e como essas práticas se conectam a novas agendas, como o crédito de carbono. Tornar essa relação mais visível pode contribuir para acelerar o entendimento e a adoção no campo”, afirma Ricardo Nicodemos, presidente da ABMRA.
O estudo também revela um setor em transformação gradual. O nível de conhecimento técnico declarado pelos produtores cresceu de 24% em 2021 para 43% em 2025, indicando uma profissionalização crescente da gestão rural. A pesquisa mostra ainda que 61% dos produtores afirmam ter ingressado na atividade por tradição familiar, enquanto a idade média do agricultor brasileiro é de 48 anos.
Outro dado que chama atenção envolve a gestão das propriedades: 98% dos entrevistados consideram a participação feminina vital ou muito importante na condução do negócio rural.
Para Nicodemos, o cenário reforça a necessidade de estratégias de comunicação mais segmentadas e conectadas à realidade do campo. “Os dados evidenciam um campo heterogêneo, com diferentes níveis de formação e experiência. Para as marcas, isso torna essencial um entendimento aprofundado do perfil do produtor, já que a efetividade da comunicação no agro depende de estratégias segmentadas, alinhadas à realidade e ao contexto de cada público”, afirma.




