Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

Eles constroem o legado do agro

Compartilhe:

Profissionais que passaram 30, 40 ou até 50 anos dentro de uma mesma organização mostram que o agronegócio também é feito de trajetórias longas, relações de confiança e aprendizados que atravessam gerações

Há carreiras que se constroem em ciclos curtos e mudanças frequentes. Outras seguem um caminho diferente: o da permanência, da construção paciente e do compromisso com um projeto que
atravessa décadas. Em um mundo cada vez mais acelerado, histórias assim parecem quase fora de época — mas continuam sendo fundamentais para entender como organizações sólidas se formam.

No agronegócio brasileiro, muitos dos avanços que transformaram empresas e cooperativas nasceram justamente desse tipo de trajetória. São profissionais que acompanharam diferentes fases do setor, enfrentaram crises, mudanças tecnológicas e novos ciclos econômicos, enquanto ajudavam a construir instituições que hoje fazem parte da estrutura do agro nacional.

Algumas dessas trajetórias começaram de forma quase improvável. Nei César Manica, presidente da Cotrijal, entrou na cooperativa em 1972 como contínuo e construiu uma carreira que atravessa mais de meio século dentro da mesma organização. Ao longo desse período, acompanhou a transformação da cooperativa e idealizou a Expodireto Cotrijal, hoje uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina. Para ele, o verdadeiro legado profissional se mede pelo que se constrói ao longo do tempo: “Quando a gente chegar ao final da caminhada, precisa olhar para trás e ver se deixou uma marca.”

A ideia de construir algo duradouro também está presente na trajetória de Roberto Motta, que há mais de 30 anos participa da expansão da Agro Amazônia, uma das maiores distribuidoras de insumos do país. Ao ingressar na empresa, em 1995, o Mato Grosso ainda não era a potência agrícola que se tornaria nas décadas seguintes. Motta acompanhou essa transformação de dentro da companhia e costuma lembrar que o negócio da distribuição exige disciplina e proximidade com o campo. “Você tem que entender as dores e os problemas do cliente para oferecer soluções”,  afirma.

A mesma lógica de construção paciente aparece na história de José Geraldo da Silveira Mello, vice-presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus. Na cooperativa desde 1978, ele  participou da estruturação da área de máquinas agrícolas e testemunhou o crescimento da organização de quatro lojas e menos de mil cooperados para uma das maiores cooperativas do país.  “Realmente eu não imaginava essa longevidade, mas tudo isso demonstrou a minha dedicação e a minha paixão pelo cooperativismo”, resume.

No setor financeiro, a trajetória de Amadeu Emílio Suter Neto mostra que essa permanência também pode ocorrer em ambientes altamente competitivos e em constante transformação. Diretor regional do Bradesco no interior paulista, ele está no banco desde 1985, acompanhando por dentro a revolução tecnológica que transformou o sistema bancário nas últimas décadas. Para ele, carreiras longas são resultado de evolução contínua. “Você não chega a diretor de um dia para o outro. É uma construção”, afirma.

Histórias como essas ajudam a lembrar que o agronegócio é um setor construído no longo prazo. O campo ensina, desde cedo, que há tempo de plantar e tempo de colher. Essa mesma lógica também se aplica às organizações e às carreiras que ajudam a sustentá-las.

O jornalista e empreendedor Carlos Alberto da Silva, o Carlão da Publique, que se aproxima de quatro décadas à frente do Grupo Publique, costuma resumir essa ideia com uma metáfora simples inspirada no próprio agro. “No agronegócio aprendemos desde cedo que as coisas importantes levam tempo. O campo ensina exatamente isso: plantar, cuidar, esperar e colher.”

Mais do que permanência profissional, essas trajetórias revelam algo ainda mais valioso: a construção de relações de confiança, cultura organizacional e visão de longo prazo. São histórias que atravessam transformações tecnológicas, mudanças econômicas e novas gerações de profissionais, mas permanecem guiadas por valores como trabalho, disciplina, proximidade com as pessoas
e compromisso com o desenvolvimento do setor.

Para quem está chegando agora ao agronegócio, elas também funcionam como uma espécie de mapa. Mostram que o sucesso raramente é resultado de um momento isolado, mas de uma caminhada construída ao longo do tempo.

Porque, assim como no campo, as melhores colheitas também precisam de tempo para florescer. Confira nas próximas páginas um pouco da história e valores de alguns – entre tantos – desses importantes personagens do agro brasileiro.

Confira abaixo um pouco da história e valores de alguns – entre tantos – desses importantes personagens do agro brasileiro. Meio século de construção

Nei César Manica
Presidente da Cotrijal há trinta anos, está há mais de cinco décadas na cooperativa, onde começou como contínuo em 1972. Idealizador da Expodireto, se tornou referência no cooperativismo brasileiro

Há trajetórias profissionais que ajudam a explicar a própria evolução de setores inteiros da economia. No cooperativismo agropecuário brasileiro, uma dessas histórias é a de Nei César Manica, presidente da Cotrijal e idealizador da ExpodiretoCotrijal, uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina. Ao longo de mais de cinco décadas de atuação dentro da mesma
organização, ele construiu uma carreira que mistura persistência pessoal, visão estratégica e uma convicção permanente sobre o papel das pessoas — especialmente produtores, jovens e famílias — na sustentação do agro brasileiro.

A relação de Manica com a cooperativa começou em 1972, quando ingressou na Cotrijal como contínuo. Mas a história que o levou até ali começa alguns anos antes, quando ainda era estudante
em Porto Alegre e sonhava com uma carreira no futebol. A experiência no esporte, aliás, marcou profundamente sua visão de vida — inclusive por causa de um episódio que ele costuma contar como uma das lições mais importantes da juventude.

“Fui estudar em Porto Alegre em 1969 e joguei dois anos nas categorias de base do Grêmio”, recorda. O sonho de seguir no futebol acabou interrompido quando ele foi convocado para o serviço militar, em 1971. Durante esse período, participou como motorista de uma comitiva oficial em um evento agrícola no Rio Grande do Sul. Dentro do carro estavam dois generais que haviam descoberto que o jovem soldado era jogador de futebol.

Manica lembra que teve diversas oportunidades de pedir ajuda para voltar ao clube, mas não teve coragem. “Na primeira, segunda, terceira, quarta, na oitava oportunidade eu fiquei com medo. A gente tinha aquele receio de jovem”, relata. Somente ao final da viagem um dos generais fez um comentário inesperado: “Quando tu voltar ao Grêmio e for da categoria adulta, vou assistir à tua estreia”.

Mais tarde, ele descobriria que aquele oficial era João Batista Figueiredo, que anos depois se tornaria Presidente da República. A história virou uma espécie de ensinamento permanente em sua
vida. “Eu aprendi uma coisa muito importante: você não pode ter medo de perguntar e não pode desistir no primeiro ‘não’”, afirma.

Se o destino no futebol acabou ficando para trás, foi no cooperativismo que Manica encontrou o espaço para construir sua trajetória. Ao retornar para Não-Me-Toque (RS), cidade onde sua família vivia da agricultura, ele ingressou na Cotrijal e passou a percorrer praticamente todas as etapas da estrutura da cooperativa.

“Comecei como contínuo no setor de repasse e depois fui galgando gradativamente algumas funções”, relembra. Com o passar dos anos, assumiu responsabilidades crescentes, passando por coordenação e gerência. Ao mesmo tempo, ajudou a estruturar novas áreas dentro da organização, como a suinocultura e a bacia leiteira.

Sua atuação também se estendeu ao sistema cooperativo de crédito. Em 1981, participou da fundação da cooperativa de crédito ligada à Cotrijal, em um período de reorganização do sistema no
Rio Grande do Sul. “Quando foi reativado o sistema de crédito do Estado, eu fui fundador da nossa cooperativa de crédito”, conta.

A experiência acumulada ao longo dessas duas décadas abriu caminho para uma nova etapa na carreira. Em 1988, Manica assumiu a diretoria financeira e administrativa da Cotrijal. Sete anos  depois, em 1995, foi eleito presidente da cooperativa pela primeira vez — cargo que ocupa até hoje.

Desde então, a organização passou por uma transformação profunda. Na época em que ele assumiu a presidência, a cooperativa atuava em apenas seis municípios. Hoje, a Cotrijal está presente em mais de cinquenta cidades e reúne milhares de produtores associados, além de uma estrutura empresarial robusta.

“No último ano faturamos R$ 4,9 bilhões, temos 2.700 colaboradores e mais de 17 mil associados”, destaca.

FEIRA NASCEU COM O SÉCULO 21
Entre as muitas iniciativas que marcaram esse período, uma se tornou símbolo da visão estratégica do dirigente: a criação da ExpodiretoCotrijal, lançada no ano 2000 e transformada, ao longo do tempo, em um dos principais eventos do agronegócio brasileiro.

A ideia nasceu a partir das viagens que Manica fazia pelo Brasil e pelo exterior, observando feiras e eventos ligados ao setor. Aos poucos, começou a desenhar mentalmente o que poderia se tornar uma vitrine tecnológica voltada especialmente para os produtores rurais.

“Eu viajando muito o mundo e o Brasil, comecei na minha cabeça a construir junto com a equipe essa grande feira”, conta. Hoje, ele afirma conhecer cada detalhe da área que abriga o evento. “Sei palmo por palmo, pedra por pedra o que há nesses 132 hectares.”

Para ele, no entanto, nenhuma realização é fruto de um esforço individual. Ao falar da trajetória da cooperativa, Manica faz questão de destacar o trabalho coletivo construído ao longo das décadas. “Nada se faz sozinho”, costuma repetir.

Segundo ele, o crescimento da Cotrijal é resultado da atuação conjunta de dirigentes, conselhos, colaboradores e produtores associados. “Temos uma equipe estruturada de gerentes, superintendentes, conselhos e lideranças”, afirma.

Essa visão também se reflete na forma como ele descreve sua relação com a cooperativa. Mais do que um local de trabalho, a organização se tornou uma espécie de extensão da própria família.

“Eu construí a minha segunda família dentro da Cotrijal”, diz.

Mesmo após décadas de atuação e já avô de sete netos, Manica afirma que ainda encontra motivação para seguir trabalhando. “Sempre digo que a idade avança, mas o que vale é o espírito. Me
sinto um jovem de 50 anos com toda a vontade de contribuir”, afirma.

O dirigente acredita que o verdadeiro legado profissional se mede pela contribuição deixada para as próximas gerações. “Quando a gente chegar no final da caminhada, temos que olhar para trás e ver se deixamos uma marca, alguma coisa importante”, diz. “Triste vai ser quem olhar para trás e não fez nada.”

TECNOLOGIA E EXPERIÊNCIA
Essa preocupação com o futuro aparece de forma ainda mais clara quando ele fala sobre os jovens que começam a assumir funções nas empresas e organizações do agronegócio. Para Manica,
a nova geração vive em um cenário radicalmente diferente daquele que ele encontrou ao iniciar a carreira.

“Nesses longos anos houve uma mudança muito grande em tecnologia, inovação e comunicação”, observa. “Hoje existe uma facilidade muito grande que nós não tínhamos no passado.”

Ao mesmo tempo, ele acredita que o desafio está em aproximar gerações diferentes dentro das organizações. Para isso, defende uma convivência baseada no respeito e na troca de experiências.

“Sempre digo para os jovens: nunca deixem de ouvir os mais experientes. Depois de ouvir, tomem as decisões de vocês”, aconselha.

A mensagem que costuma transmitir aos mais novos mistura incentivo e responsabilidade. “Aproveitem a juventude, estudem, busquem conhecimento, mas não deixem de ter humildade”, afirma. Para ele, essa característica é essencial em qualquer liderança. “O grande líder é aquele que é humilde, não é aquele que tem soberba.”

Entre todos os valores que orientam sua trajetória, há um que aparece com frequência nas reflexões do dirigente: a importância da família como base de formação humana.

“Nosso alicerce sempre é a família”, afirma. Para Manica, muitos dos problemas sociais que se observam hoje têm relação direta com fragilidades nesse ambiente. “Tudo tem uma origem”, diz.

Ao mesmo tempo, ele defende que o país precisa buscar mais equilíbrio nas relações sociais e políticas. “Não pode haver esse rancor, esse ódio que se vê hoje. Isso não leva a lugar nenhum”, observa.

Dentro desse contexto, ele atribui papel relevante também à imprensa especializada e aos formadores de opinião no fortalecimento do agronegócio brasileiro. Ao falar da Expodireto, costuma mencionar os quatro pilares que, em sua visão, sustentam o sucesso do evento.

“O expositor, o patrocinador, o produtor e a mídia”, resume.

Mais de meio século depois de entrar na cooperativa como contínuo, Manica segue movido pela mesma ideia que o levou a construir sua carreira dentro do sistema cooperativo: a de que o  desenvolvimento do agro passa, inevitavelmente, pela capacidade de trabalhar em conjunto.

“Temos que olhar para frente e ver o que podemos fazer para ajudar as pessoas”, diz.

Uma visão que ajuda a explicar por que, mesmo depois de décadas de liderança, ele ainda fala sobre o futuro com a energia de quem continua acreditando que há muito por construir.

Analisei o texto completo da matéria do Nei Manica e identifiquei alguns eixos narrativos muito fortes: trajetória pessoal, liderança cooperativista, criação da Expodireto, visão sobre jovens e  valores humanos. A partir disso, seguem sugestões de boxes complementares que enriquecem a reportagem sem repetir o que já está no texto principal.

A COTRIJAL HOJE
A cooperativa se transformou profundamente ao longo das últimas décadas.
# Faturamento: R$ 4,9 bilhões
# Cooperados: mais de 17 mil produtores
# Colaboradores: cerca de 2.700 profissionais
# Municípios atendidos: mais de 50
# Área de atuação: grãos, leite, suinocultura, insumos e assistência técnica
Hoje, a Cotrijal está entre as cooperativas agropecuárias mais relevantes do Sul do Brasil.

EXPODIRETOCOTRIJAL: UMA FEIRA QUE VIROU REFERÊNCIA
Criada no ano 2000, a ExpodiretoCotrijal nasceu da ideia de construir um espaço de difusão de tecnologia voltado diretamente aos produtores rurais.

Hoje o evento ocupa 132 hectares em Não-Me-Toque (RS) e se consolidou como uma das principais feiras do agronegócio da América Latina, reunindo empresas, pesquisadores, autoridades e produtores de diversas regiões do Brasil e do exterior. Segundo Manica, o sucesso do evento se sustenta em quatro pilares:
# o expositor
# o patrocinador
# o produtor
# a mídia

AS LIÇÕES DE LIDERANÇA DE NEI MANICA
Ao longo de mais de cinco décadas no cooperativismo, o dirigente costuma destacar alguns princípios que considera essenciais para quem deseja liderar organizações no agro:
# não ter medo de perguntar ou buscar oportunidades
# construir relações de confiança ao longo do tempo
# valorizar o trabalho coletivo
# manter humildade no exercício da liderança
# aprender com as gerações mais experientes

O DESAFIO DAS NOVAS GERAÇÕES NO AGRO
Para Nei Manica, o agronegócio brasileiro vive uma transição geracional importante.

A nova geração chega ao setor em um ambiente marcado por tecnologia, inovação e acesso rápido à informação — um cenário muito diferente daquele encontrado pelas lideranças que iniciaram carreira décadas atrás.

Ao mesmo tempo, ele acredita que a experiência acumulada pelas gerações anteriores continua sendo fundamental.

“Precisamos conciliar a experiência de quem viveu o passado com a energia da nova geração.”

Encontre na AgroRevenda