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Lagartas avançam sobre pastagens e preocupam pecuaristas

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Ataques mais frequentes reduzem a oferta de forragem e exigem monitoramento antecipado para evitar prejuízos

 

O avanço de lagartas sobre áreas de pastagem tem se tornado uma preocupação crescente para a pecuária brasileira. Consideradas por muito tempo pragas secundárias nos sistemas de produção animal, espécies como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) vêm registrando ocorrências mais frequentes e agressivas, especialmente em regiões próximas a áreas agrícolas.

O problema afeta diretamente a disponibilidade de forragem. Em situações de alta infestação, as lagartas podem consumir rapidamente a área foliar das gramíneas, comprometendo o desenvolvimento das pastagens e reduzindo a capacidade de suporte dos rebanhos. O risco é ainda maior durante a fase de implantação das forrageiras, quando as plantas apresentam menor capacidade de recuperação.

 

 

Segundo Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, a percepção sobre a importância dessas pragas precisa mudar. “Muitos pecuaristas ainda enxergam as lagartas como uma ameaça secundária, mas, hoje, a realidade é diferente. Temos observado ataques mais agressivos e frequentes, principalmente em áreas vizinhas às áreas agrícolas”, afirma.

Dados técnicos indicam que cada lagarta pode consumir cerca de 140 cm² de folha durante seu desenvolvimento, sendo que aproximadamente 85% desse consumo ocorre nos estágios finais da fase larval. Por isso, especialistas recomendam que o controle seja realizado logo nos primeiros dias após a eclosão dos ovos.

Outro fator que tem chamado atenção é a integração cada vez maior entre agricultura e pecuária. Em áreas vizinhas a lavouras, populações de lagartas podem migrar em busca de novas fontes de alimento, alcançando pastagens de braquiária e panicum. “Hoje, existe uma integração muito grande entre agricultura e pecuária. Por isso, o manejo fitossanitário precisa ser pensado de forma regional e estratégica”, destaca Corsini.

Além das lagartas, a cigarrinha-das-pastagens também preocupa produtores e técnicos. O inseto injeta toxinas nas plantas forrageiras, provocando amarelecimento, seca das folhas e queda significativa da produção de biomassa. Estudos apontam que infestações severas podem reduzir em até 70% a disponibilidade de forragem.

“A cigarrinha tem nos deixado extremamente preocupados, porque, ano após ano, a infestação vem aumentando. Nunca vimos uma pressão tão intensa como nas últimas safras”, relata o pecuarista Henrique Prata. Diante desse cenário, o monitoramento constante das áreas e a adoção de estratégias de manejo integrado vêm sendo apontados como ferramentas fundamentais para preservar a produtividade das pastagens e reduzir os impactos econômicos sobre a atividade pecuária.

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