Federação das Indústrias de São Paulo vê risco de aumento de custos e pede revisão do texto pelo Senado
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou preocupação com o texto da Medida Provisória que trata do transporte rodoviário de cargas e que seguirá para análise do Senado Federal. Segundo a entidade, as mudanças propostas podem elevar os custos logísticos e gerar reflexos em toda a cadeia produtiva, com impacto direto sobre os preços de mercadorias.
Na avaliação da federação, a proposta amplia a intervenção sobre as relações de mercado ao estabelecer regras para a composição do piso mínimo do frete e criar penalidades consideradas excessivas. Entre os pontos questionados estão a aplicação de multas elevadas e a possibilidade de cassação de registros, medidas que, segundo a entidade, aumentariam a insegurança jurídica para transportadores, embarcadores e demais agentes econômicos.
A Fiesp argumenta que os efeitos podem ser ainda mais significativos para produtos de baixo valor agregado, nos quais o transporte representa parcela importante do custo final. Para Paulo Skaf, presidente da entidade, alguns segmentos já enfrentam situações consideradas críticas. “Chegamos ao absurdo de a logística de transporte de calcário agrícola, insumo essencial para o agronegócio, por exemplo, chegar a custar quase o dobro do valor da carga”, afirma.
Outro ponto levantado pela federação é o possível avanço da verticalização das frotas por parte das empresas, movimento que, segundo a avaliação da entidade, poderia reduzir oportunidades para transportadores autônomos no médio prazo.
Diante desse cenário, a Fiesp defende que o Senado promova ajustes no texto durante a tramitação legislativa. Para a entidade, uma revisão da proposta é necessária para evitar distorções econômicas, preservar a competitividade da produção brasileira e minimizar impactos sobre os custos logísticos em diferentes setores da economia.

Por que o agro acompanha o debate sobre o frete?
O transporte rodoviário é o principal meio de movimentação da produção agropecuária brasileira. Insumos como fertilizantes, corretivos de solo, sementes, defensivos e rações dependem das estradas para chegar às propriedades rurais. Da mesma forma, grãos, carnes, leite, frutas e demais produtos do campo percorrem milhares de quilômetros até centros consumidores, indústrias, portos e mercados externos.
Por essa razão, qualquer alteração nas regras do transporte de cargas tem potencial para impactar diretamente os custos de produção e a competitividade do agronegócio. Em cadeias de menor valor agregado, como calcário agrícola, milho para ração e alguns produtos volumosos, o frete pode representar parcela significativa do custo final.
Além dos reflexos dentro da porteira, mudanças nos custos logísticos também podem influenciar os preços pagos pela indústria, distribuidores e consumidores. O tema, portanto, vai além do setor de transporte e é acompanhado de perto por produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e entidades representativas de toda a cadeia do agro.




