Incidência chega a 47,63% no cinturão citrícola e resistência do psilídeo aumenta importância da rotação de inseticidas
Controlar o inseto que dissemina o greening está se tornando uma tarefa cada vez mais complexa nos pomares brasileiros. Além do avanço da doença, a citricultura precisa enfrentar a evolução da resistência do psilídeo Diaphorina citri aos inseticidas, combinação que aumenta a importância do monitoramento e da alternância entre diferentes modos de ação para preservar as ferramentas disponíveis.
A dimensão do problema aparece nos números do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro. Segundo levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a proporção de laranjeiras com sintomas passou de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025, aumento de 7,4%.
O greening, também conhecido como HLB, não possui tratamento curativo. A doença compromete a produtividade, reduz a longevidade das plantas e prejudica a qualidade dos frutos, com reflexos sobre a rentabilidade dos pomares.
Nesse cenário, controlar a população do inseto vetor permanece como uma das frentes de manejo. O desafio é evitar que o uso repetitivo das mesmas ferramentas aumente a pressão de seleção e favoreça populações resistentes.
Estudos realizados pelo Fundecitrus em parceria com o Laboratório de Resistência de Artrópodes a Táticas de Controle da Esalq/USP identificaram evolução da resistência do psilídeo a inseticidas em importantes regiões citrícolas paulistas.
As recomendações do Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC) destacadas no material colocam a rotação entre diferentes modos de ação entre as práticas importantes para reduzir a pressão de seleção sobre as populações do psilídeo e preservar a eficiência dos inseticidas.
Isso significa que a alternância não deve considerar apenas nomes comerciais ou ingredientes diferentes. O objetivo é utilizar ferramentas com modos de ação distintos, evitando pressão contínua sobre um mesmo mecanismo biológico do inseto.
“O manejo da resistência deixou de ser uma preocupação futura e passou a ser uma necessidade imediata para a sustentabilidade da citricultura”, afirma Silvio Marcussi, engenheiro agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da Ihara.
Segundo ele, a incorporação de novas tecnologias registradas para o controle do psilídeo amplia as possibilidades de composição dos programas fitossanitários ao longo das safras.
Controle não depende apenas do inseticida
A estratégia, entretanto, é mais ampla que a alternância de produtos. As diretrizes associam o Manejo de Resistência a Inseticidas (MRI) ao Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Entre as medidas recomendadas estão uso de mudas certificadas, monitoramento frequente dos pomares, eliminação de plantas hospedeiras, redução das fontes de inóculo no entorno da propriedade, manejo das populações adultas do inseto e aplicação adequada dos defensivos agrícolas.
A integração é particularmente importante porque o psilídeo funciona como vetor da bactéria associada ao greening. Dessa forma, reduzir sua presença e sua capacidade de disseminação faz parte de uma estratégia fitossanitária que precisa alcançar tanto a propriedade quanto seu entorno.
As brotações jovens merecem atenção no monitoramento. É muito importante acompanhar esses tecidos e o período de florada durante as estratégias de controle do inseto.
Novos mecanismos ampliam rotação
A chegada de ferramentas com mecanismos diferentes pode ampliar as possibilidades de alternância dentro dos programas de manejo. Entre as tecnologias apresentadas pela Ihara está o Chaser EW, registrado para o controle do psilídeo dos citros. Segundo dados fornecidos pela empresa, o produto possui grupo químico e mecanismo de ação distintos e apresentou controle superior a 85% sobre adultos.
A empresa informa que o inseticida atua por contato e ingestão e apresenta efeito sobre ninfas e adultos, além de ação anti-feeding, que interrompe a alimentação do inseto. Também são atribuídas ao produto ação repelente e persistência foliar após chuvas.
Mais importante que uma ferramenta isoladamente, entretanto, é sua inserção em um programa que alterne modos de ação. A lógica do manejo da resistência é justamente evitar dependência excessiva de uma mesma solução, prolongando a eficiência das tecnologias disponíveis.
“Fortalecer o controle do psilídeo, tendo a rotação entre diferentes modos de ação como um dos pilares, contribui para retardar a evolução da resistência aos inseticidas e preservar a vida útil das moléculas disponíveis”, afirma Marcussi.
Com praticamente metade das laranjeiras do principal cinturão citrícola apresentando sintomas de greening, a evolução da resistência do vetor acrescenta uma nova camada de complexidade ao manejo. Monitorar, integrar diferentes estratégias e preservar a eficácia das ferramentas existentes passa a ser tão importante quanto incorporar novas tecnologias ao pomar.





