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Programa de pastagens avança, mas tem entraves

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Setor destaca desafios operacionais e propõe medidas para ampliar adesão e efetividade no campo

 

A recuperação de pastagens degradadas ganhou protagonismo na agenda agroambiental brasileira, mas a efetividade das políticas públicas ainda depende de ajustes que aproximem a estratégia da realidade do campo. Com esse objetivo, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável apresentou um conjunto de recomendações para aprimorar o programa Caminho Verde Brasil, iniciativa federal que prevê recuperar até 40 milhões de hectares em dez anos.

O documento parte de uma análise técnica do desenho do programa e reconhece avanços importantes, especialmente ao alinhar aumento de produtividade com redução da pressão por abertura de novas áreas. “A recuperação de pastagens é tratada como um eixo estratégico para melhorar o desempenho produtivo, reduzir emissões de gases de efeito estufa e a pressão sobre novas áreas”, afirma Ana Doralina Menezes, presidente da entidade.

Ao mesmo tempo, o material aponta entraves que podem limitar a implementação. Entre eles, a falta de clareza operacional e de critérios técnicos bem definidos para conceitos centrais, como o que caracteriza uma pastagem degradada ou quais práticas devem ser consideradas sustentáveis.

Outro desafio relevante está no acesso aos instrumentos de apoio. A concentração de benefícios em grandes propriedades pode restringir a participação de pequenos e médios produtores, reduzindo o alcance da política. “Será fundamental garantir critérios claros, instrumentos acessíveis e segurança para o produtor”, avalia Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa.

O documento também destaca o potencial de integração com iniciativas já existentes, como o Plano ABC+, além da possibilidade de mobilizar financiamento climático. Nesse contexto, mecanismos como créditos de carbono e programas de insetting podem criar novas fontes de recursos ao longo da cadeia produtiva.

“A conexão entre produtores e compradores […] cria uma oportunidade concreta de viabilizar fontes complementares de financiamento”, afirma Ana Doralina.

Entre as recomendações, estão o fortalecimento da assistência técnica, a ampliação do acesso ao crédito e o desenvolvimento de diretrizes mais claras para monitoramento e reconhecimento de resultados, especialmente em relação à captura de carbono no solo. Ao consolidar essas propostas, a Mesa busca contribuir para que o Caminho Verde avance com maior previsibilidade e escala, garantindo que a recuperação de pastagens se torne uma ferramenta efetiva de produtividade, sustentabilidade e inclusão no campo.

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