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Menor disponibilidade e consumo elevado garantem valorização do etanol

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Indicadores do Cepea mostram alta real nos preços do anidro e do hidratado, com destaque para o mercado paulista e comportamento distinto no Nordeste.

 

A combinação entre oferta mais restrita e demanda aquecida marcou o mercado de etanol ao longo da safra 2025/26, mantendo os preços firmes no estado de São Paulo. Segundo a análise conjuntural do Cepea, na parcial da temporada, entre abril e dezembro de 2025, os Indicadores CEPEA/ESALQ do etanol anidro e hidratado superaram em 5,24% e 5,83%, respectivamente, os valores do ciclo anterior, em termos reais, após deflacionamento pelo IGP-M.

O cenário foi sustentado pela postura firme dos vendedores diante da menor disponibilidade do biocombustível, enquanto a procura seguiu elevada, especialmente pelo etanol anidro. A demanda foi impulsionada pelas vendas de gasolina C em todo o país, intensificadas após o aumento da mistura obrigatória de anidro para 30%, em vigor desde agosto de 2025. Em São Paulo, a participação dos contratos de anidro superou a do mercado spot, com apenas 9,11% do volume negociado via spot entre abril e dezembro, levemente acima do registrado em 2024.

As adversidades climáticas tiveram papel decisivo na restrição da oferta. A produtividade agrícola foi afetada, reduzindo a disponibilidade de etanol no Centro-Sul. Dados da Unica indicam quedas sucessivas no volume de cana-de-açúcar processada e piora na qualidade da matéria-prima, medida pela ATR. Como consequência, aumentou o número de usinas que encerraram as atividades mais cedo, ampliando a expectativa de uma entressafra mais longa. Até a segunda quinzena de novembro, 173 unidades já haviam finalizado a safra, contra 141 no mesmo período do ciclo anterior.

No mercado externo, o desempenho foi mais contido. Entre abril e dezembro, as exportações brasileiras de etanol somaram 1,238 bilhão de litros, retração de 7,3% em relação a 2024, com receita de US$ 668 milhões, queda de 11,9%, conforme dados da Secex. Ainda assim, o ano foi marcado pelo anúncio contínuo de novos projetos de usinas de etanol de milho, reforçando a reconfiguração do setor.

No Nordeste, a safra 2025/26 começou entre o fim de setembro e o início de outubro, com chuvas volumosas e queimadas prejudicando o avanço inicial. Em Alagoas, a demanda interestadual, sobretudo de Minas Gerais, sustentou preços acima dos praticados em estados vizinhos. Na parcial da safra, o etanol hidratado em Alagoas registrou média de R$ 2,66/litro, alta real de 6,3% sobre o ciclo anterior, enquanto o anidro apresentou valorização em todos os estados acompanhados.

O conjunto dos indicadores aponta um mercado mais ajustado, com preços sustentados por fatores estruturais de oferta e demanda, mesmo diante de desafios climáticos e de um ambiente externo menos favorável.

 

MERCADO DO ETANOL – PRINCIPAIS INDICADORES DA SAFRA 2025/26

Fonte: Cepea / Unica / Secex

  • Preços em São Paulo (abr–dez/25, valores reais):
    ▸ Etanol hidratado: +5,83% sobre 2024
    ▸ Etanol anidro: +5,24% sobre 2024
    ▸ Preços sustentados por menor oferta e demanda firme
  • Mistura obrigatória de anidro:
    ▸ Elevada para 30% na gasolina C
    ▸ Vigência a partir de agosto de 2025
  • Comercialização em SP:
    ▸ Mercado spot representou apenas 9,11% do volume
    ▸ Predomínio de contratos ao longo da safra
  • Oferta e moagem (Centro-Sul):
    ▸ Quedas sucessivas na cana processada
    ▸ Redução na qualidade da matéria-prima (ATR)
    173 usinas encerraram a safra até nov/25
    ▸ Em 2024, eram 141 no mesmo período
  • Exportações de etanol (abr–dez/25):
    1,238 bilhão de litros
    ▸ Queda de 7,3% no volume
    ▸ Receita de US$ 668 milhões (-11,9%)
  • Nordeste – destaque Alagoas:
    ▸ Etanol hidratado: R$ 2,66/litro (média da safra)
    ▸ Alta real de 6,3% sobre 2024
    ▸ Demanda interestadual sustentou preços

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