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Leite desacelera e mercado busca novo equilíbrio

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Cepea identifica estabilidade nos preços ao produtor, pressão sobre derivados e perspectivas diferentes entre Sul, Sudeste e Centro-Oeste

 

Depois de sucessivos reajustes positivos ao longo dos últimos meses, o mercado brasileiro de leite começou a dar sinais de acomodação. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) mostra que o preço pago ao produtor em maio permaneceu praticamente estável na Média Brasil, encerrando o período em R$ 2,6617 por litro, com leve recuo de 0,45% em relação ao mês anterior. Mais do que a pequena variação, o resultado revela um mercado cada vez mais influenciado pelas diferenças regionais entre oferta e demanda.

Enquanto Sudeste e Centro-Oeste continuaram registrando valorização do leite cru, impulsionada pela menor disponibilidade de matéria-prima, o Sul seguiu caminho oposto. A recuperação da produção favorecida pelo clima, associada às boas condições das pastagens de inverno, ampliou a oferta regional e pressionou os preços pagos aos produtores. O contraste evidencia que a sazonalidade e as condições produtivas continuam determinando o comportamento das cotações nas diferentes bacias leiteiras brasileiras.

Segundo o Cepea, a oferta permanece limitada no Sudeste e no Centro-Oeste porque muitos pecuaristas reduziram investimentos ao longo de 2025, quando as margens ficaram bastante apertadas. Esse movimento restringiu o potencial produtivo em 2026 e manteve elevada a concorrência entre os laticínios pela aquisição de leite cru, sustentando os preços nessas regiões.

Outro indicador importante foi a evolução dos custos de produção. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou em maio sua primeira queda do ano, com recuo de 1,39% na Média Brasil. Apesar disso, o acumulado de 2026 ainda apresenta alta de 1,80%, reflexo principalmente do aumento das despesas com nutrição animal, sanidade e operações mecanizadas. A redução pontual dos custos representa um alívio para o produtor, mas ainda não compensa integralmente a pressão acumulada desde o início do ano.

Na indústria, os derivados começaram a refletir um mercado mais abastecido. O leite UHT apresentou desvalorização de 7,56% em maio, enquanto muçarela e leite em pó mantiveram estabilidade, com pequenas variações positivas. Segundo o Cepea, a tendência de queda dos preços dos derivados continuou ganhando força durante a primeira quinzena de junho, indicando um ambiente de consumo mais cauteloso e maior equilíbrio entre oferta e demanda.

O mercado externo também permaneceu aquecido. As importações brasileiras de lácteos cresceram 3,58% em maio, alcançando 226,21 milhões de litros equivalentes de leite, volume 28% superior ao registrado no mesmo período de 2025. As exportações também avançaram na comparação mensal, embora ainda permaneçam abaixo dos níveis observados um ano atrás.

Para junho, a expectativa do Cepea é de continuidade desse comportamento regionalizado. A produção no Sul deve seguir pressionando as cotações, enquanto Sudeste e Centro-Oeste tendem a manter preços sustentados, caminhando gradualmente para um cenário de maior estabilidade nacional.

 

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