Pesquisas, análises laboratoriais e ações educativas buscam conter perdas de polinizadores essenciais para o agro e a biodiversidade
O desaparecimento gradual das abelhas deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se tornar um tema estratégico para a agricultura mundial. Responsáveis pela polinização de grande parte das culturas agrícolas e fundamentais para a manutenção dos ecossistemas, esses insetos passaram a ocupar posição central nos debates sobre biodiversidade, segurança alimentar e sustentabilidade da produção agrícola. Neste Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio pela Organização das Nações Unidas, o Instituto Biológico (IB-APTA) reforçou o conjunto de ações voltadas à pesquisa, monitoramento sanitário e preservação de polinizadores no Estado de São Paulo.
Vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista, o instituto atua tanto na investigação de mortes de abelhas quanto no desenvolvimento de pesquisas sobre sanidade apícola, manejo e preservação de espécies. Quando há registros de mortalidade de colmeias, a Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento em Proteção Ambiental do Instituto Biológico realiza análises laboratoriais para identificar possíveis resíduos de pesticidas nas abelhas mortas.
O trabalho integra o Programa Saúde das Abelhas e atende demandas ligadas à Defesa Agropecuária estadual. As análises buscam esclarecer se as mortes estão relacionadas ao uso inadequado de defensivos agrícolas e também ajudam a orientar ações de fiscalização e boas práticas no campo.
Além da investigação toxicológica, o instituto mantém atividades permanentes de pesquisa em sanidade apícola por meio do Serviço Laboratorial Regional de Pesquisa em Sanidade Apícola, ligado à Divisão de Pesquisa e Desenvolvimento em Sanidade Animal.
A estrutura desenvolve estudos voltados principalmente às abelhas africanizadas da espécie Apis mellifera, amplamente utilizadas na produção de mel e na polinização agrícola brasileira. Entre as linhas de atuação estão pesquisas em patologia apícola e meliponícola, análises laboratoriais tradicionais e moleculares, além do desenvolvimento de tecnologias para manejo e criação de abelhas.
O serviço também realiza capacitação de profissionais ligados ao Sistema Oficial de Saúde Animal e oferece treinamentos técnicos voltados à produção de rainhas, alveolagem de cera e manejo de colmeias. Segundo especialistas do setor, o avanço das mudanças climáticas, o uso inadequado de produtos agrícolas, a perda de habitat e o desequilíbrio ambiental vêm aumentando a pressão sobre as populações de polinizadores em diferentes regiões do mundo.
Estudos internacionais apontam que mais de 75% das culturas alimentares dependem, ao menos em parte, da polinização animal para manutenção da produtividade e da qualidade dos alimentos. Além da atuação científica, o Instituto Biológico também investe em educação ambiental como estratégia de conscientização da população sobre a importância das abelhas. Uma das iniciativas mais conhecidas é a exposição permanente Planeta Inseto, instalada no Museu do Instituto Biológico, na capital paulista.
No espaço chamado “Recanto das Abelhas”, visitantes podem observar 11 colônias de espécies nativas brasileiras, entre elas Jataí, Iraí, Mandaçaia e Uruçu-Amarela. O ambiente ainda possui câmeras que permitem acompanhar, em tempo real, a dinâmica interna das colmeias e o comportamento dos insetos. Localizado na Vila Mariana, em São Paulo, o museu oferece visitação gratuita de terça a domingo, das 9h às 16h.
Mais do que um símbolo ambiental, as abelhas passaram a representar um dos principais termômetros da saúde dos ecossistemas agrícolas. E, diante do avanço das pressões ambientais e produtivas sobre os polinizadores, ciência, monitoramento e educação se tornam ferramentas cada vez mais estratégicas para garantir produtividade agrícola, biodiversidade e segurança alimentar nas próximas décadas.




