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Demanda aquecida reduz estoques da soja brasileira

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Novas estimativas da ABIOVE mostram avanço do esmagamento de soja e redução dos estoques finais diante da forte demanda

 

A cadeia brasileira da soja segue ampliando sua capacidade de atender tanto o mercado internacional quanto a demanda da indústria doméstica. Na atualização de julho das projeções para 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) elevou as estimativas de produção, exportações e processamento do grão, consolidando um cenário de forte atividade em praticamente todos os segmentos do complexo soja. A revisão ocorre em um momento de safra recorde e confirma a manutenção do Brasil como principal protagonista do mercado global.

A produção nacional passou de 180,25 milhões para 180,57 milhões de toneladas, acompanhando a revisão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ao mesmo tempo, a projeção para as exportações foi elevada para 115,4 milhões de toneladas, enquanto o processamento doméstico subiu para 63,3 milhões de toneladas. O conjunto desses ajustes reduziu a previsão de estoque final do grão de 7,87 milhões para 6,58 milhões de toneladas, uma queda superior a 16% em relação à estimativa anterior, indicando um mercado mais demandado e menor disponibilidade ao final do ciclo.

O avanço do processamento merece atenção especial por representar maior agregação de valor dentro do país. Apenas entre janeiro e maio deste ano, as indústrias brasileiras esmagaram 23,36 milhões de toneladas de soja, volume 7,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Em maio, o processamento alcançou 5,23 milhões de toneladas, crescimento de 2,7% frente a abril e de 5,4% na comparação anual. Os números reforçam a recuperação da atividade industrial e ampliam a oferta de derivados destinados tanto ao mercado interno quanto às exportações.

Esse movimento também aparece nas projeções para os derivados. A produção de farelo foi revisada para 48,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno subiu para 21,4 milhões de toneladas, sinalizando maior utilização pela cadeia de proteína animal. No óleo de soja, a estimativa de produção aumentou para 12,75 milhões de toneladas, com exportações previstas em 1,7 milhão de toneladas, alta de 3% sobre a projeção anterior.

Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE, a revisão confirma a capacidade do setor de responder simultaneamente às demandas interna e externa. “A expansão do processamento, somada ao ritmo consistente das exportações, confirma o papel estratégico do Brasil no comércio internacional do complexo da soja”, afirma.

A análise da série histórica reforça que o crescimento do esmagamento não é um fenômeno pontual. Depois de processar cerca de 50,9 milhões de toneladas em 2020, o Brasil avançou para 54,2 milhões em 2021, 55,8 milhões em 2022, 58,7 milhões em 2025 e agora projeta 63,3 milhões de toneladas em 2026, evidenciando um movimento consistente de fortalecimento da indústria nacional. Esse avanço reduz a dependência da exportação de grão in natura, amplia a produção de farelo e óleo e aumenta a capacidade de geração de valor agregado dentro da cadeia agroindustrial brasileira.

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