Setor avança 1,9% sobre mesmo período do ano passado, prepara-se para enfrentar um segundo semestre de problemas com crédito, pasto, custos e instabilidade com a guerra EUA e Irã, mas deve crescer mais
A pecuária brasileira alcançou a marca de 69 milhões de cabeças de bovinos de corte e leite utilizando suplementos minerais no primeiro semestre deste ano, um aumento de 4,5% sobre o mesmo período do ano passado. Em junho, o segmento comercializou 225,3 mil toneladas da tecnologia, 2,9% a mais sobre junho de 2025, e completou os seis meses de 2026 vendendo 1,203 milhão de toneladas, 1,9% de crescimento diante do período anterior – 1,09 milhão de toneladas na Pecuária de Corte e 112 mil toneladas na Pecuária de Leite.
Os dados foram divulgados durante a reunião mensal da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais, a ASBRAM, realizada em São Paulo no fim da semana passada. Um encontro com cardápio recheado de temas variados, como inteligência artificial, vendas, treinamento, tributos e o mercado de nutrição animal dentro da bovinocultura. E ainda uma apresentação motivacional de Clóvis Tavares, o ‘Klaus Newmann da Fórmula 1’, que falou sobre treinamento das equipes de vendas, criatividade, engajamento e relacionamento humano.
“A gente pensou em organizar um encontro que remetesse, também, ao mês de férias. Debater conteúdo, o resultado dos negócios, mas também olhar para dentro de nós mesmos, falar de sucesso, felicidade e de trabalho com energia, companheirismo. Enfim, trabalhamos firme, mas também queremos ser felizes. Uma mensagem bem gostosa de transmitirmos aos quase duzentos participantes de nossa reunião, quando unimos os presentes e os que acompanham pela internet”, comentou, animada, Elizabeth Chagas, vice-presidente executiva da entidade.
Um estado de ânimo explicado pelo panorama vivido pela cadeia produtiva. O segmento leiteiro vem sofrendo problemas com custos de produção, preços no varejo e a profunda intensificação da escala necessária para se obter margens sólidas. Mas a carne bovina surfa um momento sólido. Abate de 42 milhões de cabeças no ano passado, exportação de 1,7 milhões de toneladas de janeiro a junho deste ano, 15,5% acima do mesmo período do ano passado, o melhor primeiro semestre da história. Consumo interno subindo, até 37kg por habitante ao ano, e preços sustentáveis da arroba. “Vivemos um bom momento. É inegável. Apesar da pressão dos custos, da valorização da reposição e da instabilidade geopolítica internacional. Quem está atento ao melhor momento de fazer negócios vem alcançando resultados interessantes’, opinou Fernando Penteado Cardoso Neto, Presidente da Connan Nutrição Animal e ex-comandante da ASBRAM.
Os participantes reconheceram que podem ocorrer turbulências até o fim do ano diante das condições das pastagens, um forte El Niño, o problema de preços da agricultura, crédito escasso nos bancos e nas empresas privadas, valores das matérias-primas, os juros e a volta ‘com tudo’ da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Entretanto, o cenário básico vislumbrado pelo Painel de Comercialização de Suplementos Minerais da entidade indica um crescimento de 2,5% nas vendas, com 2,512 milhões de toneladas em 2026. Num vislumbre mais otimista, o total pode até alcançar 2,64 milhões de toneladas, avanço de 7,8%.
“Tem muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo. A pecuária de corte segue no trilho e o leite sofre mais. O mundo segue instável, com recrudescimento das guerras, inflação e juros subindo nas principais economias. Mas é impressionante como os setores de Inteligência Artificial e energia elétrica a partir do sol vêm alcançando patamares incríveis. Já o Brasil vem com bom desempenho da economia, mas na expectativa das eleições presidenciais e dos ajustes fiscais que serão necessários a partir de 2027. De qualquer maneira, alimentos permanecem como produtos de primeiríssima utilidade, como a carne e o leite”, avaliou Felippe Serigati, professor e pesquisador do FGV Agro e comandante do Painel de Comercialização da ASBRAM.
“Atualmente, 41,9% do agronegócio brasileiro já utiliza inteligência artificial, o que vem ajudando no avanço da produtividade, na redução de custos, em decisões mais rápidas e abertura de novos negócios”, acrescentou o executivo Marcelo Cruz, especialista em estratégia de dados, inteligência artificial, governança e analytics.
O encontro ainda tratou do livro que a ASBRAM vai publicar com a história das cem empresas que integram a entidade, e que será lançado no simpósio bianual organizado pela Associação, em setembro do ano que vem. Deu mais detalhes do projeto de treinamento para os profissionais de vendas das corporações do segmento, que vai ser ministrado por Marcelo Baratella, CEO e fundador da VendorIA, um ecossistema de educação em vendas B2B. “As equipes não devem manter os hábitos antigos. Precisam melhorar continuamente, vencer a cada dia. Sem parar’, aconselhou Clóvis Tavares.
E mais. Os participantes debateram a possibilidade de a Associação entrar com um mandado de segurança para recuperação do crédito integral de PIS e COFINS sobre insumos adquiridos com alíquota zero, mas cobrados na comercialização final dos suplementos desde 2021. O que precisa ser feito até o fim deste ano. 67% das empresas associadas são fabricantes de suplementos, 19% atuam com aditivos, química e tecnologia, além de 14% que trabalham com matérias-primas minerais. “No caso da medida ser tomada, é grande a possibilidade de vitória na justiça, o que beneficiaria todas as indústrias associadas”, argumentou Daniel Coman, Diretor Comercial e Sócio do Martins Freitas Advogados Associados. “Tudo o que a gente faz, debate, trabalha, procura aprimorar, só faz sentido para mim se soubermos que todas as tecnologias, as atuais e as que vão chegar, tiverem como preocupação fundamental garantir alimentos para a população mundial. Isto é o mais importante”, arrematou Elizabeth Chagas, vice-presidente executiva da ASBRAM.






