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Conflitos elevam riscos e oportunidades no agro

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Especialistas avaliam impactos geopolíticos sobre fertilizantes, logística, energia e comércio internacional durante talk show “A Voz do Mercado”

 

A intensificação dos conflitos internacionais começou a alterar de forma estrutural o funcionamento do agronegócio global. Mais do que provocar oscilações pontuais em preços e logística, as guerras passaram a influenciar decisões estratégicas relacionadas a fertilizantes, energia, comércio internacional, segurança alimentar e posicionamento geopolítico das grandes nações produtoras de alimentos.

O tema esteve no centro do talk show “A Voz do Mercado”, transmitido nesta quarta-feira, 14, com apresentação de Ivan Wedekin e Suelen Farias e participação de José Roberto Mendonça de Barros, sócio-fundador da MB Associados; Maxwell Rodrigues, empresário, palestrante e apresentador de TV; e Alfredo Kober, CEO da ICL América do Sul. O programa tem apoio oficial da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo).

 

Ao longo do debate, os participantes destacaram que o cenário internacional deixou de operar sob uma lógica puramente econômica e passou a incorporar fatores geopolíticos permanentes dentro das cadeias globais do agro.

José Roberto Mendonça de Barros avaliou que o atual ambiente internacional consolida uma reorganização profunda do comércio global, especialmente após os conflitos envolvendo Rússia, Ucrânia e Oriente Médio. Segundo ele, a tendência é de aumento da volatilidade e de maior regionalização das cadeias produtivas. O economista também destacou que o Brasil ganhou relevância estratégica justamente por sua capacidade de produção em larga escala e pela posição consolidada como fornecedor global de alimentos, fibras e energia renovável.

No debate, Alfredo Kober chamou atenção para os impactos das tensões internacionais sobre o mercado de fertilizantes, setor diretamente conectado à geopolítica global. Segundo ele, conflitos envolvendo grandes produtores de nutrientes alteram rotas comerciais, elevam custos logísticos e aumentam a necessidade de planejamento das cadeias agrícolas.

Kober ressaltou ainda que o ambiente internacional exige maior previsibilidade e gestão de risco por parte do produtor rural, especialmente diante da crescente dependência global de insumos estratégicos.

Maxwell Rodrigues enfatizou os reflexos econômicos indiretos das guerras sobre o cotidiano do agro brasileiro, incluindo inflação internacional, pressão sobre energia, custos de produção e comportamento dos mercados consumidores. Outro ponto recorrente do debate foi a percepção de que segurança alimentar passou a ocupar posição semelhante à segurança energética dentro das estratégias das grandes economias globais.

Os participantes também avaliaram que o Brasil tende a ampliar seu protagonismo internacional nos próximos anos, desde que consiga avançar em infraestrutura logística, acordos comerciais e estabilidade regulatória. Ao final do programa, prevaleceu a visão de que o atual cenário global amplia riscos, mas também cria oportunidades para o agronegócio brasileiro consolidar espaço como fornecedor estratégico em um ambiente internacional cada vez mais marcado por disputas econômicas, climáticas e geopolíticas.

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