Banco estratégico de antígenos amplia capacidade de resposta rápida após reconhecimento internacional do País como livre da doença sem vacinação
Pouco mais de um ano após conquistar o reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação, o Brasil deu mais um passo para fortalecer sua estrutura de defesa sanitária. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu oficialmente o Banco Nacional de Antígenos para Resposta de Emergência à Febre Aftosa, uma reserva estratégica destinada a acelerar a produção de vacinas caso o país enfrente um eventual foco da doença. A iniciativa busca preservar um dos principais patrimônios da pecuária brasileira: o status sanitário que sustenta o acesso a mercados internacionais.
A entrega ocorreu na unidade da Biogénesis Bagó, em Garín, na província de Buenos Aires (Argentina), durante cerimônia que reuniu representantes do Mapa, do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e da empresa de biotecnologia. O complexo abriga um banco internacional de antígenos e vacinas contra a febre aftosa e foi escolhido para armazenar a reserva brasileira em razão de sua capacidade tecnológica e de resposta rápida a emergências sanitárias.
O projeto faz parte de um acordo firmado em dezembro de 2025 entre o Tecpar e a Biogénesis Bagó, com vigência de dez anos. A estrutura contempla um estoque correspondente à produção de 10 milhões de doses de antígenos dos dois sorotipos do vírus historicamente mais presentes no Brasil, além da possibilidade de fornecimento imediato de até 10 milhões de doses de vacinas caso seja necessário conter um eventual surto da enfermidade.

Durante a cerimônia, Esteban Turic, CEO da Biogénesis Bagó, afirma que a segurança sanitária moderna exige planejamento permanente, inovação tecnológica e integração entre os setores público e privado. “O Banco Nacional de Antígenos representa exatamente esse modelo de cooperação, reunindo a experiência científica do Tecpar, a capacidade tecnológica da Biogénesis Bagó e a liderança institucional do Ministério da Agricultura para fortalecer a segurança sanitária do Brasil”, destaca.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressalta o significado estratégico da iniciativa. “A história passa a ter um antes e um depois deste lançamento. “Este é o resultado de um trabalho profissional e eficiente, que nos permite dizer que temos a melhor defesa sanitária do planeta”, observa. Já o presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, acrescenta que Banco Nacional de Antígenos amplia capacidade de preparação diante de eventuais emergências sanitárias e reforça o compromisso do Tecpar com a inovação aplicada à saúde animal e à proteção da agropecuária nacional.
Diferentemente das vacinas prontas, os antígenos permanecem armazenados em tanques de nitrogênio líquido a -170 °C, podendo ser conservados por longos períodos. Em caso de emergência, esse material permite iniciar a produção de vacinas em aproximadamente sete dias, reduzindo significativamente o tempo de resposta diante de um eventual foco de febre aftosa. Para um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina, manter essa capacidade de reação rápida representa um elemento estratégico para proteger a pecuária nacional, preservar mercados e reforçar a confiança internacional no sistema brasileiro de vigilância sanitária.




