Profissional participa das decisões produtivas e orienta boas práticas que se estendem do manejo à destinação das embalagens de defensivos
A incorporação de novas tecnologias à agricultura aumentou as possibilidades de escolha dentro das propriedades, mas também tornou as decisões mais complexas. Definir um manejo, selecionar insumos e avaliar seus resultados exige conhecimento técnico capaz de considerar produtividade, características de cada área e impactos sobre os recursos naturais. Nesse ambiente, o engenheiro agrônomo ocupa uma posição que vai muito além da recomendação de produtos.
Essa atuação também acompanha o que acontece depois do uso de determinados insumos. No caso dos defensivos agrícolas, por exemplo, a responsabilidade não termina quando a aplicação é concluída. Preparar, armazenar e devolver corretamente as embalagens vazias integra um ciclo no qual orientação técnica, cumprimento das normas e logística reversa precisam funcionar de maneira articulada.
Manejo e conservação do solo, defesa sanitária vegetal, planejamento da produção e gestão de recursos naturais estão entre as áreas nas quais o agrônomo participa das decisões dos produtores. A profissão ganha destaque em 13 de setembro, data em que é celebrado o Dia Mundial do Agrônomo.
A destinação das embalagens de defensivos exemplifica como as decisões tomadas no campo se conectam aos demais agentes da cadeia. O agricultor deve realizar os procedimentos previstos, armazenar as embalagens e devolvê-las, em até um ano, ao local indicado na nota fiscal da compra.
No Brasil, esse fluxo é organizado pelo Sistema Campo Limpo, baseado na responsabilidade compartilhada entre agricultores, canais de distribuição, indústria fabricante e poder público. O inpEV representa a indústria dentro desse modelo.
“Neste Dia Mundial do Agrônomo, quero parabenizar os engenheiros agrônomos que fazem seu trabalho com dedicação, inovação e muita tecnologia”, afirma Hamilton Rondon, engenheiro agrônomo e coordenador regional institucional do inpEV. Segundo ele, a atividade contribui também para a conservação ambiental e para a produção de alimentos.
Quase 76 mil toneladas em um ano
A dimensão da operação aparece nos resultados de 2025. Foram destinadas corretamente 75.996 toneladas de embalagens vazias, volume 11% superior ao do ano anterior e recorde anual do programa. Desse total, 92% seguiram para reciclagem. Desde 2002, mais de 900 mil toneladas receberam destinação ambientalmente adequada.
A capilaridade é especialmente relevante para a distribuição de insumos. O sistema possui 424 unidades de recebimento e mais de 242 associações de revendas e cooperativas. Em 2025, foram realizados 4.795 Recebimentos Itinerantes, iniciativa que facilita a devolução principalmente em regiões distantes das estruturas fixas.
O avanço da tecnologia, portanto, não reduz a importância da assistência agronômica. Ao contrário: quanto maior o número de ferramentas disponíveis, maior a necessidade de transformar informação em decisões adequadas à realidade de cada propriedade — incluindo responsabilidades que permanecem mesmo depois que o insumo já cumpriu sua função no campo.


