Bioinsumos, biotecnologia, substratos, nutrição e manejo da água estão entre as tecnologias estudadas para aumentar a resiliência das plantas
Uma lavoura mais preparada para enfrentar calor intenso e períodos de pouca água pode começar a ser construída muito antes do plantio definitivo. A qualidade das mudas, tradicionalmente associada ao estabelecimento inicial das culturas, ganha uma dimensão adicional à medida que eventos climáticos mais severos aumentam a pressão sobre as plantas.
O desafio é produzir materiais capazes de chegar ao campo com condições adequadas de desenvolvimento e maior capacidade de enfrentar situações de estresse. Isso envolve uma combinação de genética, sanidade, nutrição, substratos, manejo da água e tecnologias de propagação — fatores que começam a receber atenção crescente da pesquisa diante das mudanças no ambiente de produção.
A relação entre qualidade das mudas e adaptação climática estará no centro do V Simpósio de Propagação de Plantas e Produção de Mudas (SimpMudas), promovido pela APTA Regional, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, de 28 a 30 de setembro, em Campinas (SP).
A programação reúne discussões sobre estresse hídrico, nutrição, sanidade, bioinsumos, controle biológico de pragas e doenças, biotecnologia, substratos, condicionadores de solo, enraizamento e novas tecnologias de aclimatação e desenvolvimento vegetal.
Para Adriana Novais Martins, pesquisadora da APTA Regional e uma das coordenadoras do simpósio, a qualidade das mudas influencia diretamente produtividade, sanidade das plantas e eficiência dos investimentos realizados pelos produtores.
“Nesse contexto, o SimpMudas pretende aproximar a pesquisa científica dos diferentes elos da cadeia produtiva, apresentando resultados de estudos e soluções tecnológicas que contribuam para sistemas de produção mais resilientes e sustentáveis”, afirma.
Um dos pontos em discussão será justamente o que acontece depois que a muda deixa o ambiente protegido. Pesquisadores abordarão os efeitos do estresse hídrico sobre mudas de hortaliças e seus impactos após o transplantio, além da relação entre mudanças climáticas e resiliência agrícola. A sanidade de mudas de hortaliças e café e a qualidade sanitária das sementes também estarão entre os temas.
Da aquaponia ao cultivo vertical
As alternativas pesquisadas vão além dos sistemas convencionais. O simpósio discutirá aquaponia, aproveitamento de efluentes da piscicultura como fertilizante e cultivo vertical indoor, além de novas matérias-primas para substratos e manejo da água.
O encontro também abordará a competitividade da cafeicultura a partir da qualidade das mudas, propagação de frutíferas e uso de giberelina na germinação de sementes.
O conjunto de temas mostra que adaptar a agricultura a um ambiente mais instável não depende apenas das decisões tomadas quando a cultura já está estabelecida. A resposta pode começar no viveiro, preparando plantas mais uniformes, sadias e aptas a enfrentar as condições que encontrarão depois do transplantio.


