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Mais de 60% das doenças humanas vêm dos animais

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Campanha Julho Dourado destaca a importância da prevenção de zoonoses e da Saúde Única

 

Cuidar da saúde de cães e gatos é uma medida que vai muito além do bem-estar dos animais. Segundo especialistas, a prevenção de doenças nos pets também desempenha papel importante na proteção da saúde humana. O alerta ganha destaque durante o Julho Dourado, campanha nacional dedicada à conscientização sobre a saúde animal e à prevenção das zoonoses, enfermidades que podem ser transmitidas entre animais e pessoas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 60% das doenças infecciosas que afetam os seres humanos têm origem animal, e existem mais de 200 zoonoses conhecidas no mundo. Entre as mais comuns relacionadas aos animais de estimação estão a raiva, leptospirose, toxoplasmose, esporotricose, leishmaniose e diversas verminoses, muitas delas passíveis de prevenção por meio de medidas relativamente simples.

A médica-veterinária Camila Camalionte, gerente técnica da divisão Pet Health da Elanco, explica que vacinação, consultas veterinárias regulares e controle contínuo de parasitas são pilares da prevenção. Segundo ela, proteger o animal significa também reduzir riscos para toda a família, conceito conhecido como Saúde Única (One Health), que reconhece a ligação entre saúde humana, animal e ambiental.

Entre os cuidados recomendados estão a vermifugação periódica, o controle de pulgas e carrapatos durante todo o ano e a atenção a alterações dermatológicas, que podem favorecer infecções ou indicar outras enfermidades. Especialistas lembram que crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido são os grupos mais vulneráveis às zoonoses, tornando a prevenção ainda mais importante nos lares onde convivem com animais de estimação.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 472.790 casos de zoonoses entre 2007 e 2023. No Estado de São Paulo, por exemplo, 96,4% dos casos confirmados de esporotricose entre 2011 e 2025 ocorreram em áreas urbanas, evidenciando que esses riscos estão presentes também nas cidades.

Embora campanhas de conscientização ajudem a ampliar o conhecimento da população, médicos-veterinários ressaltam que a prevenção deve fazer parte da rotina durante todo o ano. Manter a vacinação em dia, realizar exames periódicos, controlar parasitas e procurar atendimento veterinário diante de qualquer alteração clínica continuam sendo as estratégias mais eficazes para preservar a saúde dos animais e reduzir a transmissão de doenças às pessoas.

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