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Preço do leite sobe em junho; semestre tem alta de 33%

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Estoques reduzidos e crescimento lento da captação mantêm a concorrência pela matéria-prima

 

O mercado brasileiro de leite iniciou o segundo semestre com preços em recuperação, sustentados por uma oferta de matéria-prima ainda limitada. Segundo levantamento do Cepea/Esalq-USP, o valor médio do leite cru captado pelos laticínios atingiu R$ 2,7464 por litro em junho, alta de 3,02% em relação a maio. Com esse resultado, o primeiro semestre acumulou valorização de 33,1%, embora a média do período permaneça 14% inferior à observada nos seis primeiros meses de 2025, em termos reais.

A valorização ocorreu em um contexto de mercado firme para os derivados e crescimento da produção abaixo das expectativas. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 2,76% entre maio e junho, mas ainda registra queda acumulada de 11,4% no ano, indicando que a disponibilidade de matéria-prima segue relativamente apertada.

Outro fator que contribuiu para sustentar a remuneração ao produtor foi a estabilidade dos custos de produção. O Custo Operacional Efetivo (COE) teve variação praticamente nula em junho, com alta de apenas 0,24%, favorecido pela redução dos preços de matérias-primas utilizadas nas rações. No acumulado do primeiro semestre, o indicador avançou 2,04%, ritmo inferior ao observado para o preço do leite.

Entre os derivados, o comportamento foi heterogêneo. Os preços da muçarela e do leite em pó permaneceram praticamente estáveis em junho, enquanto o leite UHT apresentou queda de 3,07% frente a maio. Ainda assim, estoques reduzidos e a disputa entre laticínios pela matéria-prima impediram uma acomodação mais intensa dos preços pagos ao produtor.

No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram 4,17% entre maio e junho, totalizando 216,76 milhões de litros em equivalente leite. Apesar da retração mensal, o volume continua 35,11% superior ao de junho de 2025 e acumula crescimento de 14% no primeiro semestre, mostrando que o produto importado segue exercendo influência sobre o abastecimento interno.

Para os próximos meses, o Cepea avalia que o mercado deve permanecer estável, com viés de alta, enquanto os estoques continuarem reduzidos e a oferta crescer de forma gradual. A expectativa é que o terceiro trimestre seja marcado pelo aumento progressivo da captação, o que poderá reduzir a pressão sobre os laticínios sem provocar mudanças bruscas no comportamento dos preços.

 

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