Doença está presente nas cinco regiões do País e prevenção envolve combate ao mosquito-palha, manejo ambiental e acompanhamento veterinário
O cão tem papel importante no ciclo urbano da leishmaniose visceral, mas não transmite a doença diretamente para uma pessoa ou para outro animal. Entre o hospedeiro infectado e uma nova infecção existe um personagem fundamental: o flebotomíneo, popularmente conhecido como mosquito-palha. Entender esse ciclo ajuda a explicar por que proteger o pet é apenas uma das frentes necessárias para reduzir o risco da doença.
A leishmaniose visceral está presente nas cinco regiões brasileiras. Dados do novo Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral, publicado pelo Ministério da Saúde em 2026, apontam 24.454 casos humanos entre 2015 e 2024. Apesar da ampla distribuição, o número de novos casos caiu 69,7% entre 2017 e 2024.
A doença é causada por protozoários do gênero Leishmania. Em áreas urbanas, o cão é considerado o principal reservatório do parasita, mas a transmissão ocorre principalmente pela picada de flebotomíneos infectados.
Outro desafio é que a infecção nem sempre é percebida rapidamente. Alguns cães podem permanecer infectados por períodos prolongados sem apresentar sinais aparentes. Quando existem manifestações clínicas, podem ocorrer emagrecimento progressivo, queda de pelos, feridas de difícil cicatrização, crescimento excessivo das unhas, apatia, perda de apetite, alterações renais em alguns casos e lesões oculares. Mudanças na condição física ou no comportamento devem ser avaliadas por um médico-veterinário, que poderá determinar a necessidade de investigação.
Prevenção começa também no ambiente
Como a transmissão depende do inseto vetor, reduzir as condições favoráveis à sua presença é parte da estratégia preventiva. A recomendação inclui manter quintais e áreas externas limpos, reduzindo o acúmulo de matéria orgânica, além do acompanhamento veterinário e do uso de produtos repelentes adequados para cães.
O Ministério da Saúde inclui controle do vetor e manejo ambiental entre as medidas de enfrentamento e incorporou coleiras impregnadas com inseticida à estratégia utilizada em municípios prioritários. A Ourofino Pet, responsável pelo material, comercializa a coleira Leevre, indicada para repelência e mortalidade de Lutzomyia longipalpis, além de auxiliar no controle de pulgas e carrapatos.
Mais do que depender de uma única medida, a prevenção da leishmaniose exige combinar proteção contra o vetor, atenção ao ambiente e acompanhamento veterinário, de acordo com o risco existente na região onde o animal vive.





