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Leite sobe 33% no semestre, mas média segue menor

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Valor recebido pelo produtor sobe pelo sexto mês seguido, enquanto UHT reage no atacado e importações de lácteos avançam

 

Seis meses consecutivos de valorização mudaram o cenário do leite recebido pelo produtor, mas ainda não foram suficientes para colocar os preços médios de 2026 no patamar observado no ano passado. O valor do produto captado em junho acumulou alta real de 33,1% desde janeiro, ao mesmo tempo em que a média do primeiro semestre permaneceu 14% abaixo da registrada em igual período de 2025.

Segundo levantamento do Cepea, o preço pago pelo leite captado em junho avançou 3,02% sobre maio, já descontada a inflação, chegando a R$ 2,7464 por litro na “Média Brasil”. Foi o sexto aumento mensal consecutivo. Na comparação com junho de 2025, entretanto, o valor ainda ficou 0,86% menor.

Considerando todo o primeiro semestre, a média real recebida pelo produtor foi de R$ 2,4659/litro, contra um resultado 14% superior no mesmo intervalo do ano passado. Os valores foram deflacionados pelo IPCA de junho. A valorização também chegou a parte do mercado atacadista em julho, embora os diferentes derivados tenham apresentado comportamentos distintos. Pesquisa do Cepea em parceria com a OCB mostra que o leite UHT avançou 7,35%, alcançando média de R$ 4,88/litro no atacado paulista. O leite em pó, por outro lado, permaneceu pressionado.

No comércio exterior, julho registrou crescimento dos fluxos nas duas direções. As importações aumentaram 9,01%, para 236,3 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL), enquanto as exportações cresceram 17,43%, chegando a 5,27 milhões de litros EqL. A diferença de escala continua expressiva. Além disso, frente a julho de 2025, as compras externas aumentaram 33,49%, enquanto os embarques brasileiros recuaram 5,55%.

Custos permanecem estáveis

Do lado da produção, os custos ficaram praticamente estáveis pelo segundo mês consecutivo. Entre junho e julho, o Custo Operacional Efetivo (COE) recuou 0,31% na “Média Brasil”. Minas Gerais registrou a maior queda entre as regiões acompanhadas, de 1,1%.

O conjunto dos indicadores mostra, portanto, recuperação dos preços ao produtor acompanhada por custos estáveis, mas em um mercado no qual a média recebida no primeiro semestre ainda não recuperou os níveis de 2025 e as importações seguem em patamar bastante superior às exportações.

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