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Brasil é potência pet, mas tributos seguram setor

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Para a Abempet, reduzir impostos sobre alimentos pet será prioridade para potencializar crescimento, que deve se manter entre 3% e 4% este ano

 

O mercado brasileiro de produtos para animais de estimação demonstra solidez, mesmo diante de um cenário econômico desafiador. No entanto, o ritmo de crescimento vem desacelerando, pressionado principalmente por fatores externos ao próprio setor — com destaque para a elevada carga tributária sobre alimentos para pets.

As projeções mais recentes indicam que o mercado pet brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 77,89 bilhões, registrando crescimento de 3,36%. Trata-se do segundo ano consecutivo de expansão mais moderada após um longo período de crescimento acelerado.

José Edson França, presidente da Abempet: ritmo mais contido

Para José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), a tendência para 2026 é de continuidade desse ritmo mais contido.

“As últimas projeções apontam que o mercado pet brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 77,89 bilhões, crescimento de 3,36%. Para 2026, nossa expectativa é de manutenção desse ritmo moderado, na faixa dos 3% a 4%, caso os cenários macroeconômico e tributário permaneçam como estão”, afirma.

Apesar da desaceleração, o dirigente ressalta que os fundamentos do setor permanecem extremamente robustos. O Brasil conta hoje com uma das maiores populações de animais de estimação do mundo e com um vínculo cada vez mais forte entre tutores e pets.

“Temos 167,6 milhões de pets no Brasil, 56% dos domicílios com pelo menos um cão ou gato, e um vínculo afetivo cada vez mais forte entre tutores e animais. A demanda existe e é robusta”, observa.

O problema, segundo ele, é que essa demanda está sendo parcialmente contida por fatores externos ao mercado. “O problema é que ela está sendo contida por fatores externos ao setor”, resume.

Entre esses fatores, o principal é a elevada carga tributária que incide sobre os produtos pet no Brasil — especialmente sobre alimentos para animais de estimação.

Distorção tributária

A questão tributária é apontada pela Abempet como o principal obstáculo ao crescimento mais vigoroso do mercado. Enquanto a média global de impostos sobre alimentos pet gira em torno de 18%, no Brasil a carga tributária pode alcançar 50%, o que impacta diretamente o preço final ao consumidor e limita o consumo.

“O maior entrave é a questão tributária”, afirma França. Segundo ele, a recente reforma tributária trouxe avanços importantes ao reduzir impostos sobre medicamentos veterinários e serviços ligados à saúde animal. Porém, o mesmo não ocorreu com o segmento de pet food — justamente o maior do setor.

“A Reforma Tributária trouxe redução para medicamentos e serviços veterinários, mas os alimentos pet, produto mais procurado e que representa metade do faturamento do setor, ficaram de fora”, explica.

Para a entidade, essa é uma distorção que precisa ser corrigida. “Essa distorção precisa ser corrigida e será nossa prioridade absoluta em 2026”, afirma o presidente da Abempet.

Além da tributação, o setor também enfrenta pressões decorrentes do ambiente macroeconômico. Inflação projetada em 4,2%, taxa Selic em torno de 12,5% e dólar estimado na faixa de R$ 5,60 são fatores que afetam tanto o custo de produção quanto o poder de compra das famílias brasileiras.

“O cenário macroeconômico é desafiador. Isso pressiona o poder de compra das famílias e encarece a produção”, observa França. Outro fator de cautela para 2026 é o ambiente político, marcado por eleições — circunstância que tradicionalmente tende a gerar maior volatilidade e adiar decisões de investimento.

 

Potencial pouco explorado

Apesar dessas dificuldades, o dirigente afirma que o setor tem capacidade para crescer muito mais do que os atuais índices indicam. No caso específico do segmento de alimentos para animais, o Brasil possui uma estrutura industrial robusta, mas que hoje opera muito abaixo do seu potencial.

“O nosso parque industrial tem capacidade para produzir mais de 9 milhões de toneladas anuais, mas estamos operando em apenas 4 milhões”, afirma França. Para ele, o país reúne todas as condições para ampliar significativamente essa produção — desde que o ambiente regulatório e tributário seja mais favorável.

“Temos infraestrutura para crescer. O que nos falta é um ambiente tributário que permita explorar esse potencial”, resume.

A própria criação da Abempet reflete o esforço de fortalecer a representatividade institucional do setor. A entidade nasceu em outubro de 2025, a partir da união entre duas organizações importantes da indústria pet: a Abinpet e o Instituto Pet Brasil (IPB).

O objetivo é ampliar a capacidade de articulação política e institucional do setor, especialmente em Brasília. “A Abempet vai intensificar sua atuação em Brasília para incluir o setor pet nas alíquotas reduzidas”, afirma França.

Para ele, a discussão vai além da competitividade econômica. “Acreditamos que essa é uma questão de justiça tributária e de saúde pública”, argumenta.

Um mercado gigante

Mesmo com todos os desafios, o dirigente mantém uma visão positiva sobre o futuro do setor. O Brasil já ocupa hoje a posição de terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, e possui um setor produtivo cada vez mais profissionalizado.

“Somos o terceiro maior mercado pet do mundo, com produtos de qualidade reconhecida internacionalmente”, afirma França. Por isso, a avaliação da entidade é que 2026 será um período de resistência — mas também de mobilização institucional. “2026 será um ano de resiliência e de luta para criar as condições necessárias para que o setor realize todo seu potencial”, conclui.

(Reportagem publicada no caderno Falando de Bichos da edição 111 da Revista AgroRevenda)

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