Painel reúne pesquisadores e lideranças para discutir redes, inteligência artificial e agricultura de precisão nas propriedades rurais
A expansão da conectividade no campo foi apontada como um dos principais fatores para acelerar a adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a gestão das propriedades rurais. O tema esteve em destaque durante o painel “A Revolução Tecnológica no Campo”, realizado no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em Sorriso (MT), reunindo representantes da Sociedade Rural Brasileira (SRB), do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
A discussão mostrou que a transformação digital da agricultura depende da combinação de diferentes ferramentas, como sensores, drones, imagens de satélite, plataformas de análise de dados, estações meteorológicas e sistemas de georreferenciamento. Essas tecnologias permitem monitorar lavouras em tempo real e apoiar decisões relacionadas ao plantio, irrigação, aplicação de insumos, controle de pragas e colheita.

Segundo Sérgio Bortolozzo, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), a incorporação de tecnologia foi determinante para a evolução da agricultura nacional. “Essa revolução, advinda da tecnologia, é incontestável e foi fundamental para transformar o Brasil em uma referência global em segurança alimentar e abastecimento. O país soube desenvolver soluções adaptadas às suas próprias características e, com tecnologia, tornou-se competitivo. Agora, precisamos refletir sobre como avançar ainda mais em produtividade, conectividade e inovação no campo”, afirmou.
Os participantes defenderam que a conectividade seja tratada como infraestrutura produtiva, e não apenas como serviço de comunicação. Redes móveis, fibra óptica, conexões via rádio, satélites e redes privativas foram apontadas como tecnologias complementares, cuja combinação deve variar conforme as características de cada propriedade, da topografia ao tipo de atividade desenvolvida.
Para Carlos Nazareth Marins, professor e pesquisador do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), o acesso à conectividade é condição indispensável para a agricultura digital. “Sem conectividade, não conseguimos utilizar a nuvem, a inteligência artificial nem os recursos computacionais que se tornaram mais intensos nos últimos anos. A solução para o campo não passa por uma única tecnologia, mas pela combinação de redes privativas, 4G, 5G, satélites e mais alternativas capazes de atender cada aplicação com custo adequado. Esse avanço precisa gerar produtividade, mas também lucratividade e rentabilidade para o produtor”, ressaltou.
O debate também destacou que inovação depende da integração entre pesquisa, universidades, fabricantes de máquinas, empresas de telecomunicações e produtores. Para Marcos Landell, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o aumento da produtividade resulta da integração entre manejo de solo e água, genética, proteção das lavouras e agricultura de precisão. Ele ressaltou que a pesquisa aplicada às condições locais continuará sendo decisiva para ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.




