Levantamento da ABMRA aponta diferença entre a percepção dos produtores e a imagem que os brasileiros dizem ter do agronegócio
Embora pesquisas de opinião indiquem que a maior parte dos brasileiros mantém uma visão favorável do agronegócio, muitos produtores rurais acreditam que essa percepção é bem diferente. Levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) mostra que 65% dos produtores consideram que são vistos de forma negativa pela população urbana, enquanto apenas 5% acreditam desfrutar de uma imagem positiva e 30% avaliam que a percepção é neutra.
Os dados fazem parte da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, realizada com 3.100 produtores de 16 estados brasileiros, abrangendo 15 culturas agrícolas e quatro cadeias pecuárias. O estudo foi comparado a outra pesquisa apoiada pela entidade, realizada junto à população brasileira, segundo a qual sete em cada dez pessoas afirmam ter uma visão positiva do agronegócio, evidenciando um contraste entre a percepção dos produtores e a imagem declarada pela sociedade.
Além desse resultado, o levantamento mostra que 30% dos brasileiros se declaram desfavoráveis ao agronegócio e que, dentro desse grupo, 51% têm entre 15 e 29 anos. Para a ABMRA, esses dados ajudam a identificar segmentos da população que demandam maior aproximação e diálogo com o setor.
Segundo Ricardo Nicodemos, presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), a diferença entre a percepção dos produtores e a opinião da sociedade evidencia a necessidade de fortalecer a comunicação institucional do agronegócio. “O agro brasileiro evoluiu muito nas últimas décadas. Produzimos mais com inovação, incorporamos tecnologia, avançamos em sustentabilidade e nos tornamos uma referência mundial. Mas essa transformação precisa ser acompanhada por uma estratégia consistente de comunicação. A diferença entre a percepção do produtor e a da sociedade mostra a urgência de fortalecer a imagem do setor, que por décadas tem sido renegada”, afirma.
Os resultados da pesquisa serviram de base para o Projeto Marca Agro do Brasil, iniciativa voltada à construção da imagem do setor junto à sociedade. Um dos filmes da campanha será apresentado durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em Sorriso (MT), e integra uma estratégia mais ampla que prevê ações em escolas, espaços públicos, produção de conteúdo e campanhas em diferentes meios de comunicação. A personagem Aninha, criada após sucessivas etapas de pesquisa qualitativa e quantitativa, foi desenvolvida para dialogar especialmente com o público jovem urbano.
Para Nicodemos, o trabalho de comunicação precisa estar fundamentado em dados e ter continuidade. “Toda estratégia de comunicação precisa partir de evidências. Antes de desenvolver as peças, buscamos entender como o agro era percebido pela sociedade e validar os caminhos criativos que sensibilizavam as pessoas em diferentes etapas de pesquisa. Reputação se constrói com histórias reais, fatos, diálogo e continuidade“, conclui.





