Vinícolas associadas à Anprovin ampliam produção e projetam crescimento de 15% para os próximos ciclos
A produção brasileira de vinhos de inverno chega à safra 2026 consolidada como uma das principais inovações da vitivinicultura nacional. Baseado na técnica da Dupla Poda, o sistema permitiu expandir a produção de vinhos finos para regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, criando um calendário agrícola distinto e transformando áreas tradicionalmente dedicadas a outras culturas em polos de vinhos de alta qualidade.
Atualmente, as 56 vinícolas associadas à Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin) somam cerca de 1,49 milhão de pés de uva e produção anual próxima de 1,1 milhão de garrafas. O segmento estima crescimento de 15% na safra 2026 e projeta triplicar sua capacidade produtiva até 2029, acompanhando a valorização dos rótulos brasileiros no mercado nacional e internacional.
Grande parte desse avanço está associada à Dupla Poda, tecnologia desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas em 2000 pelo pesquisador mineiro Murilo Regina. A técnica altera o ciclo vegetativo da videira por meio de duas podas anuais, transferindo a maturação das uvas para os meses mais secos do ano, entre junho e agosto. Com menor incidência de chuvas e maior amplitude térmica, os vinhedos alcançam melhores condições de sanidade e maturação fenólica, fatores decisivos para a qualidade dos vinhos.
O modelo também tem provocado mudanças econômicas no campo. Cerca de 90% das vinícolas associadas são propriedades familiares, que encontraram na vitivinicultura uma alternativa para diversificar receitas em áreas antes ocupadas por atividades como café, grãos e pecuária leiteira. Além da geração de renda, o setor é visto como instrumento para fortalecer a sucessão familiar e agregar valor às propriedades rurais.
A expansão da técnica pode ser observada em diferentes regiões produtoras. No Centro-Oeste, vinhedos de Goiás e do Distrito Federal cultivam variedades como Syrah, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Cabernet Franc e Malbec. No Nordeste, a Chapada Diamantina já produz rótulos elaborados com Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon. Já no Sudeste, estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo acumulam premiações e notas superiores a 90 pontos em avaliações especializadas.
A garantia de qualidade acompanha esse crescimento. A Anprovin conta com um centro de análises e certificação instalado em Brasília, responsável pela padronização dos processos e pela validação dos produtos. O selo da entidade identifica origem, altitude e lote de produção, reforçando a rastreabilidade dos vinhos.
Entre as variedades mais produzidas destacam-se Syrah, Sauvignon Blanc, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, castas que lideram o volume colhido e ajudam a consolidar o reconhecimento dos vinhos de inverno como uma das expressões mais inovadoras da vitivinicultura brasileira.
O QUE É A DUPLA PODA?
A Dupla Poda é uma técnica brasileira de manejo da videira que revolucionou a produção de vinhos finos em regiões fora do tradicional eixo vitivinícola do Sul do País.
Desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas pelo agrônomo Murilo Regina, a metodologia consiste na realização de duas podas anuais para inverter o ciclo natural da planta. Com isso, a colheita das uvas deixa de ocorrer no verão chuvoso e passa para os meses de inverno, período marcado por clima seco, maior amplitude térmica e melhor incidência de luz.
O resultado é a produção de uvas com maior concentração de compostos fenólicos, melhor sanidade e maturação mais equilibrada, características essenciais para a elaboração de vinhos de alta qualidade.
Principais vantagens da Dupla Poda
✔ Colheita durante o inverno seco
✔ Menor incidência de doenças fúngicas
✔ Melhor maturação fenólica das uvas
✔ Maior regularidade na qualidade das safras
✔ Produção de vinhos finos em novas regiões brasileiras
✔ Alternativa de diversificação e agregação de valor para propriedades rurais
Onde a técnica é utilizada?
A Dupla Poda já está consolidada em vinícolas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal e Bahia, permitindo que novas fronteiras vitivinícolas brasileiras produzam rótulos reconhecidos nacional e internacionalmente.




