Debates no SIAVS mostram que manter a liderança dependerá de produtividade, ambiente regulatório e inovação
Em um mercado internacional marcado por conflitos geopolíticos, barreiras comerciais e crescente preocupação com a segurança alimentar, poucos países conseguem ampliar simultaneamente produção, qualidade sanitária e presença global. O Brasil figura hoje entre essas exceções graças a um processo construído ao longo de décadas por investimentos em genética, tecnologia, inovação e integração das cadeias produtivas de proteína animal.
Esse foi um dos principais temas debatidos na abertura do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, em São Paulo. Durante a solenidade, representantes do setor defenderam que o protagonismo brasileiro não decorre apenas de vantagens naturais, mas de um esforço contínuo envolvendo produtores, cooperativas, agroindústrias, pesquisadores e sistemas de defesa sanitária.

Ao abordar esse cenário, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou que a liderança nacional foi construída por sucessivas gerações de profissionais que investiram em melhoramento genético, biosseguridade, inovação tecnológica, integração produtiva e rigor nos controles sanitários. Segundo ele, esse conjunto de fatores permitiu consolidar o Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de proteína animal.
Os números refletem essa dimensão. De acordo com a ABPA, as cadeias de aves e suínos movimentam mais de US$ 33 bilhões em exportações e abastecem mercados em diferentes continentes, contribuindo para a alimentação de quase um bilhão de pessoas. A edição deste ano do SIAVS reúne mais de 400 empresas expositoras e visitantes de mais de 60 países, reforçando a relevância internacional do setor.
A manutenção dessa posição, entretanto, dependerá de novos avanços em competitividade. Durante o evento, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressaltou que o país reúne condições para ampliar sua participação no mercado global, desde que continue investindo em ciência, inovação, sustentabilidade e preservação da credibilidade do sistema brasileiro de defesa agropecuária.
O debate também alcançou questões estruturais da economia. Para o professor Fernando Schuler, do Insper, ampliar a produtividade nacional exige um ambiente de negócios mais favorável, acompanhado de reformas capazes de reduzir entraves ao investimento e fortalecer a competitividade das empresas. Na avaliação do especialista, a cadeia brasileira de proteína animal representa um exemplo de eficiência construída por meio de tecnologia, gestão e abertura à concorrência internacional.
Além dos desafios econômicos, representantes do setor defenderam que o fortalecimento da competitividade passa pela preservação de um ambiente regulatório estável e pela continuidade das políticas voltadas à inovação e à defesa sanitária. Em um cenário global de mudanças nas exigências comerciais e sanitárias, a capacidade de manter elevados padrões de qualidade tende a permanecer como um dos principais diferenciais da proteína animal produzida no Brasil.





