Crédito, gestão, serviços e relacionamento com a indústria estarão entre os temas centrais do Congresso Andav 2026
O canal de distribuição de insumos agropecuários vive um momento de transformação que vai muito além da comercialização de produtos. Pressionadas por um ambiente econômico mais seletivo, pela necessidade de ampliar eficiência e pela crescente demanda dos produtores por serviços especializados, as revendas passaram a ocupar uma posição estratégica dentro do agronegócio brasileiro. Esse novo cenário estará no centro de um dos principais debates do 15º Congresso Andav 2026, que reunirá empresários e especialistas para discutir como fortalecer o acesso ao mercado e construir modelos de negócios mais competitivos.
O tema será abordado no Painel Distribuidor: Acesso ao Mercado, programado para o dia 12 de agosto, durante o congresso que acontece entre os dias 11 e 13 de agosto, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. A proposta é reunir experiências práticas de empresas que atuam em diferentes regiões do país para discutir expansão regional, relacionamento com fornecedores, acesso ao crédito, profissionalização da gestão e novos diferenciais competitivos para o setor.
Participam do painel Alberto Yoshida, gerente de Relações Institucionais e Novos Negócios da Adubos Real; Aldair Santos, CEO da Precisão Rural; Paulo Lima, sócio-diretor da RUMO.Agro; e Ricardo Bonacin, CEO da Núcleo Agrícola. Os executivos compartilharão experiências sobre os desafios enfrentados pelas distribuidoras em um ambiente de negócios marcado pela consolidação do mercado, maior seletividade na concessão de crédito e busca permanente por eficiência operacional.
Para Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav, o papel das distribuidoras evoluiu significativamente nos últimos anos e hoje ultrapassa a simples venda de insumos. “Além da comercialização de insumos, as empresas ampliaram sua atuação na oferta de assistência técnica, agricultura digital, soluções financeiras, gestão de risco e serviços especializados, tornando-se parceiras estratégicas do produtor rural em um ambiente de negócios cada vez mais complexo”, afirma.
Essa ampliação de responsabilidades ocorre justamente em um momento em que as empresas enfrentam desafios relevantes. O aumento do custo do capital, a necessidade de ganhos de escala, o avanço da profissionalização da gestão e as mudanças no perfil do produtor rural exigem novas estratégias para sustentar o crescimento dos negócios. Nesse contexto, o relacionamento com a indústria e a capacidade de oferecer soluções integradas tornam-se diferenciais competitivos cada vez mais importantes.
Segundo Tiburcio, esse será um dos principais focos da discussão promovida durante o Congresso Andav. “Hoje, a competitividade da distribuição vai muito além da capacidade comercial. Ela passa pela qualidade do relacionamento com a indústria, pela proximidade com o produtor, pela oferta de serviços, pela gestão financeira e pela capacidade de compreender as diferentes realidades do mercado brasileiro. É essa visão prática que queremos levar ao Congresso”, destaca.
Além do painel, o Congresso Andav 2026 terá como tema “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro” e reunirá lideranças do agronegócio, da indústria, do mercado financeiro e da economia para discutir temas como crédito, reforma tributária, bioenergia, geopolítica, gestão de pessoas, inovação e inteligência de mercado. Durante o evento também será apresentada a Pesquisa Nacional da Distribuição Andav 2026, desenvolvida em parceria com o Cepea/Esalq-USP e considerada uma das principais referências sobre o mercado brasileiro de distribuição de insumos agropecuários.
Revenda é parceira estratégica
A distribuição de insumos agropecuários vive uma das maiores transformações de sua história. Se no passado o relacionamento com o produtor estava concentrado na venda de defensivos, fertilizantes, sementes e produtos veterinários, hoje as empresas do setor ampliaram significativamente sua atuação. Além do fornecimento de insumos, passaram a oferecer assistência técnica, agricultura digital, soluções financeiras, gestão de risco, ferramentas de monitoramento e apoio à tomada de decisão dentro da propriedade.
Essa mudança acompanha a própria evolução do agronegócio brasileiro, marcado por produtores cada vez mais tecnificados e por um ambiente de negócios mais complexo. O aumento do custo do crédito, a maior volatilidade dos mercados e a necessidade de elevar a eficiência operacional fizeram com que a distribuição assumisse um papel consultivo, aproximando indústria, tecnologia e campo.
Nesse novo cenário, a competitividade deixou de depender apenas da capacidade comercial. Cada vez mais, o diferencial das distribuidoras está na oferta de soluções integradas, na qualidade do atendimento e na construção de relacionamentos de longo prazo, consolidando o canal de distribuição como um dos principais agentes de desenvolvimento da agricultura brasileira.





