Crédito, seguro rural, infraestrutura, tecnologia e previsibilidade regulatória entram no debate sobre como ampliar a produção diante de novas pressões globais
Aumentar a oferta mundial de alimentos nas próximas décadas não será apenas uma questão de produzir mais por hectare. Para que a agropecuária responda ao crescimento da demanda, produtores precisarão encontrar condições para investir, administrar riscos e incorporar tecnologia em um ambiente marcado por mudanças climáticas, volatilidade das commodities e tensões geopolíticas. Nesse cenário, políticas agrícolas voltam ao centro da discussão sobre segurança alimentar.
O tema estará em debate no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, que terá um painel dedicado às relações entre políticas agrícolas e segurança alimentar, com participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e outros convidados. O encontro ocorre em 1º de outubro.
A discussão parte de uma pressão conhecida. Segundo estimativa da Organização das Nações Unidas citada pelo evento, a população mundial, de 8,2 bilhões de pessoas em 2024, deverá se aproximar de 9,7 bilhões em 2050. Paralelamente, o OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035 aponta necessidade de crescimento de 13% na produção agrícola e pesqueira mundial na próxima década.
O desafio, entretanto, não se resume ao volume. A capacidade de ampliar a oferta passa pelas condições disponíveis para que produtores façam investimentos de longo prazo e mantenham a atividade diante de riscos produtivos e econômicos.
Nesse contexto, crédito e seguro rural ocupam posições estratégicas. O primeiro influencia a capacidade de financiar custeio, tecnologia e expansão; o segundo integra os instrumentos destinados à administração dos riscos inerentes à atividade. O material do GAFFFF coloca ambos ao lado de infraestrutura, comércio internacional, sustentabilidade e previsibilidade regulatória como componentes diretamente relacionados à competitividade agropecuária.
A tecnologia forma outra peça desse conjunto. A incorporação de novas soluções pode contribuir para elevar a capacidade produtiva, mas depende de investimento e de um ambiente que permita ao produtor planejar além de uma única safra.
Segurança alimentar ganha dimensão estratégica
As mudanças climáticas acrescentam incerteza ao planejamento, enquanto conflitos internacionais e oscilações nos mercados de commodities mostram como acontecimentos distantes das propriedades podem repercutir sobre custos, preços e fluxos comerciais.
É nesse ponto que segurança alimentar e política agrícola se encontram. Garantir oferta regular de alimentos envolve não apenas capacidade física de produção, mas condições para que a atividade permaneça economicamente viável e consiga responder às transformações do mercado.
O debate no GAFFFF deverá reunir essas diferentes frentes e discutir como políticas públicas podem criar condições de longo prazo para produtores, estimular investimentos e fortalecer a capacidade de abastecimento.
O festival será realizado em 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque, em São Paulo. A programação prevê mais de 35 painéis e 100 palestrantes, distribuídos em três palcos simultâneos, além de feira de negócios, gastronomia e entretenimento.



