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Produzir mais carne emitindo menos: a aposta do Brasil

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Relatório apresentado em fórum da ONU reforça o papel da tecnologia tropical na transição para uma pecuária de baixo carbono

 

O debate sobre segurança alimentar e mudanças climáticas tem colocado a pecuária mundial sob crescente pressão para elevar a produção sem ampliar seus impactos ambientais. Em meio a esse cenário, o Brasil levou à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, uma mensagem baseada em números: a de que é possível expandir a oferta de carne bovina e, ao mesmo tempo, reduzir de forma significativa a intensidade das emissões da atividade.

Durante a Quarta Sessão do Subcomitê de Pecuária do Comitê de Agricultura (COAG), realizada na sede da FAO, a ApexBrasil apresentou os resultados do estudo “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050”. Elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o levantamento projeta uma redução de até 92,6% na intensidade das emissões da pecuária de corte brasileira até meados do século.

Segundo o estudo, o avanço da produção nacional deverá ocorrer sem a necessidade de expansão territorial. A projeção considera que os ganhos de produtividade virão principalmente da recuperação de áreas de pastagens degradadas, da adoção de tecnologias voltadas ao manejo, da melhoria genética dos rebanhos e do uso crescente de biotecnologias capazes de elevar a eficiência dos sistemas produtivos.

A proposta rompe com uma visão historicamente associada à expansão da pecuária baseada na abertura de novas áreas. Em vez disso, o cenário projetado aponta para uma intensificação sustentável da atividade, sustentada por inovação, gestão e aumento da produtividade por hectare.

A apresentação do estudo em um dos principais fóruns internacionais dedicados à agricultura ocorreu em um momento de forte mobilização global em torno da transição para economias de baixo carbono. O encontro reuniu representantes de governos, organismos multilaterais, entidades setoriais e especialistas de diversos países para discutir estratégias capazes de conciliar produção agropecuária, segurança alimentar e mitigação das mudanças climáticas.

Para Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, os resultados reforçam a capacidade da pecuária brasileira de avançar simultaneamente em produtividade e sustentabilidade. “Os resultados mostram que a pecuária brasileira tem condições de avançar de forma consistente na agenda climática sem abrir mão da produtividade e da competitividade. O estudo demonstra que é possível produzir mais com menos área, reduzir emissões e fortalecer a posição do Brasil como fornecedor confiável de alimentos para o mundo”, afirma Müller.

Além de reforçar a imagem do país como fornecedor global de proteína animal, a apresentação do relatório também amplia a visibilidade internacional das tecnologias desenvolvidas para as condições tropicais. A avaliação é de que ferramentas ligadas à recuperação de pastagens, manejo eficiente e intensificação sustentável poderão desempenhar papel relevante na construção de sistemas pecuários mais alinhados às metas climáticas globais.

Nesse contexto, a discussão deixa de envolver apenas a produção de carne e passa a incorporar uma questão estratégica para o agronegócio brasileiro: demonstrar ao mercado internacional que crescimento produtivo e redução de emissões podem caminhar na mesma direção.

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